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Enem

Enem começa a ter prova digital a partir do ano que vem, e 100% até 2026

Em 2020, exame já será aplicado digitalmente para 50 mil candidatos; meta do MEC é aposentar versão impressa da prova

03/07/2019 18h42
Por: Sandro Araújo

O Ministério da Educação ( MEC ) anunciou nesta quarta-feira que em 2020 vai aplicar o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem ) digitalmente para 50 mil candidatos, em 15 capitais do país. Os planos do MEC são de que em 2026 já não haja mais a prova impressa. Os estudantes que prestam a prova neste ano, no entanto, não serão afetados com nenhuma mudança.

No ano que vem, os candidatos poderão optar pela prova digital. Os 50 mil que participarão do piloto serão selecionados por ordem de inscrição. Eles farão a avaliação em dois domingos: 11 e 18 de outubro (inclusive a redação). Os participantes do Enem regular terão uma outra data: 1º e 8 de novembro de 2020.

O número de aplicações aumentará progressivamente. Em 2021, serão feitas duas edições do Enem digital. De 2022 a 2025, a ideia é ter quatro provas ao longo do ano, ainda no formato opcional. E, em 2026, extinguir de vez o papel. As regras de taxa de inscrição e correção da prova serão as mesmas para os dois públicos: do Enem digital e do tradicional.

Segundo o presidente do Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep), Alexandre Lopes, a intenção é que se chegue a um modelo de agendamento da prova. Ele apresentou as novidades à imprensa ao lado do ministro da Educação, Abraham Wreintraub, e do diretor do Inep, Camilo Mussi.

A ideia é fazer vários Enems ao longo do ano por agendamento — disse Lopes.

O custo da aplicação do Enem digital, para 15 mil candidatos em 2020, será de R$ 20 milhões — uma média de R$ 400 por participante. É superior ao valor atual, considerando dados apresentados na coletiva, de que o exame hoje demanda mais de R$ 500 milhões para atender a 5 milhões de inscritos, ou seja, cerca de R$ 100 por aluno.

No entanto, esses valores do Enem tradicional não consideram as quantias arrecadadas com taxa de inscrição dos pagantes no Enem (cerca de 50% dos inscritos este ano, segundo o Inep). Lopes afirmou que, com a ampliação do exame digital, os custos vão diminuir.

Os custos envolvem implementação e aplicação da prova, mas, com ganho de escala, esse custo vai caindo — afirmou Lopes.

Segundo ele, o governo não comprará computadores para o Enem digital. A forma de aplicação seguirá o modelo atual, de contratar uma empresa para cuidar dessa parte, que engloba organizar as salas de aplicação, garantir os fiscais, e, agora, também viabilizar as máquinas. O governo, por sua vez, de acordo com Lopes, vai "fornecer as informações das bases instaladas nos computadores das escolas".

O consórcio será responsável por obter as salas para aplicação digital. E a gente ajuda nessa parceria com as secretarias de educação estaduais e municipais — explicou o presidente do Inep.

— Com isso, a gente se livra de duas ou três grandes empresas. A gente vai muito mais próximo à concorrência perfeita do que o oligopólio — comentou Weintraub, referindo-se a poucas gráficas no país que atendem aos parâmetros exigidos para o Enem.

O ministro garantiu ainda que a segurança da prova estará preservada com a tecnologia já existente no país. Em diversos momentos, ele citou exames feitos em meio digital no mundo, dizendo que o Brasil ficou "para trás". Além disso, ele enfatizou que a maior parte dos procedimentos envolvendo a prova, como a correção, já é informatizada, exceto a aplicação.

— A gente sempre tem que ficar atento porque bandido é sempre criativo, mas hoje achamos que a segurança e a tecnologia que o Brasil tem permite fazer isso. Além disso, é só essa última etapa da aplicação é analógica, o resto todo é digital — disse o ministro.

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