HJ STOREBR - super banner topo
escolas sucateadas

Disparidade de investimento na educação chega a sete vezes entre municípios brasileiros

Comparação entre cidades do Sul e Nordeste foi feita em estudo divulgado pela ONG Todos pela Educação.

25/06/2019 15h00
Por: Sandro Araújo
Fonte: POR PAULA MARTINI E ANITA EFRAIM
 Escolas do Maranhão apresentam situação precária. Foto: Divulgação/Sindeducação
Escolas do Maranhão apresentam situação precária. Foto: Divulgação/Sindeducação

"As escolas estão sucateadas, estão precarizadas. No ano passado, tivemos nove tetos que caíram. Temos duas unidades sem condições de funcionamento e estão abrigadas em igreja, sem qualquer condições."

O relato é da professora Elizabete Ribeiro, de São Luís, no Maranhão. Ela atua no estado que menos investe na educação em todo o Brasil. São em, média, três mil e quinhentos reais por aluno ao ano.

"E nenhuma escola é ligada à Internet. Nós não temos noção de matrículas porque ainda funcionamos na idade da pedra."

Mas no município de Turiaçu, litoral maranhense, o valor não alcança nem R$ 3 mil. A diferença é de sete vezes em relação à cidade brasileira que mais investe na educação. A quase 4 mil quilômetros do Maranhão, Pinto Bandeira, no Rio Grande do Sul, dispõe R$ 19,5 mil para cada aluno matriculado na rede pública. Os números são de um levantamento da ONG Todos Pela Educação, e vêm à tona quando se discute o destino do fundo de desenvolvimento da educação básica, o Fundeb. A vigência do plano atual termina em dezembro do ano que vem. Para a coordenadora de projetos da ONG, Thaiane Pereira, os resultados mostram que a elaboração de um novo fundo precisa considerar as disparidades por região.

"E essa disparidade faz com que o aumento da desigualdade seja ainda maior e com que o ciclo de desigualdade entre as redes permaneça. É exatamente o que a gente precisa reverter. Tudo isso é fruto de um mecanismo positivo, o Fundeb, mas que ainda precisa ser mais equitativo."

O estudo também avaliou que o Plano Nacional de Educação avança a passos lentos. Entre os 20 objetivos a serem cumpridos está a valorização da carreira de professor. O PNE estipula que o salário de docentes da rede pública seja equiparado ao de demais profissionais com mesmo nível educacional até o ano que vem. Mas a pesquisa mostrou que a meta está longe de ser atingida. Os professores com ensino superior completo recebem apenas 70% do salário de outros profissionais formados. A coordenadora de projetos do Todos Pela Educação diz que a especialização na disciplina que eles lecionam é outro desafio.

"No Brasil essa taxa ainda é bem inferior, apesar de ter melhorado. No entanto, só 56% dos professores do Ensimo Médio têm formação adequada".

O levantamento ainda mostrou que o percentual de jovens de 15 a 17 anos que frequentam a escola têm aumentado. No entanto, 787 mil ainda não concluíram o Ensino Médio, nem estão estudando.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou com palavras ofensivas.