19°C 31°C
São Gonçalo dos Campos, BA
Publicidade

LULA X FLÁVIO: A ELEIÇÃO CHEGA À RETA FINAL SOB FORTE POLARIZAÇÃO

Pesquisas mostram vantagem de Lula no primeiro turno, mas confronto direto permanece praticamente empatado; guerra de narrativas e desinformação passa a disputar espaço com os problemas reais do eleitor

São Gonçalo Agora
Por: São Gonçalo Agora
30/09/2026 às 11h54 Atualizada em 01/10/2026 às 12h50
LULA X FLÁVIO: A ELEIÇÃO CHEGA À RETA FINAL SOB FORTE POLARIZAÇÃO
.

A última semana de campanha presidencial chega ao fim com uma característica muito clara: Lula e Flávio Bolsonaro estão separados por poucos pontos e disputam um eleitorado altamente polarizado.

No primeiro turno, Lula aparece à frente em alguns dos levantamentos mais recentes. O Datafolha, divulgado em 28 de setembro, apontou 40% para Lula e 36% para Flávio. A Atlas/Bloomberg, divulgada no dia seguinte, mostrou 45,3% contra 42,2%. Já a Palver indicou 44% para cada um. A Quaest registrou 39% para Lula e 34% para Flávio. Ou seja: há vantagem numérica de Lula em boa parte das pesquisas, mas não existe uma distância uniforme entre os dois.

O dado talvez mais importante esteja no segundo turno. Na Quaest, Lula e Flávio aparecem com 42% cada. Na pesquisa Meio/Ideia divulgada nesta quarta-feira, Lula tem 48,5% e Flávio 48%. Na Atlas, o cenário também aparece praticamente empatado. Em um conjunto de dez pesquisas recentes analisadas pelo Poder360, Flávio apareceu numericamente à frente em cinco, Lula em quatro e houve um empate.

Isso significa que não é correto transformar uma pesquisa isolada em certeza eleitoral. Pesquisas são fotografias feitas em momentos diferentes, com metodologias diferentes e margens de erro próprias. O próprio TSE determina o registro das pesquisas e a divulgação de informações como metodologia, período de coleta, amostra, margem de erro e nível de confiança.

Mas existe outro elemento importante nesta reta final: a campanha passou a explorar fortemente emoções, religião e medo.

Continua após a publicidade
Anúncio

O episódio envolvendo Nossa Senhora Aparecida é um exemplo. Circulou a informação falsa de que Flávio Bolsonaro pretendia retirar da santa o título de Padroeira do Brasil. O TSE determinou a remoção de conteúdos que apresentavam essa afirmação como verdadeira, classificando-a como notoriamente inverídica. Também foi registrada uma retratação da GloboNews depois que a informação que alimentou a narrativa foi relacionada a um projeto de lei arquivado havia quase duas décadas.

O episódio, porém, não terminou com o desmentido. Virou assunto de campanha. Lula passou a falar publicamente sobre Nossa Senhora e afirmou que não sabia se a informação era fake news, embora sustentasse que a santa continuaria sendo a Padroeira do Brasil. A narrativa foi utilizada politicamente para atingir o eleitorado católico, enquanto Flávio passou a reagir tentando neutralizar o desgaste.

É importante separar as coisas: uma coisa é a existência comprovada da notícia falsa; outra é afirmar, sem prova, que Lula pessoalmente criou a fake news. O que os fatos permitem dizer é que integrantes e aliados da campanha petista exploraram politicamente o episódio e que o próprio Lula levou o tema para seus discursos mesmo depois de questionado sobre a falsidade da informação.

E há uma lição eleitoral nisso.

Quando uma eleição chega aos últimos dias, cada ponto percentual pode depender menos da conquista de novos eleitores e mais da capacidade de provocar rejeição ao adversário. Lula aparece com 43,7% de rejeição na pesquisa Meio/Ideia, contra 41,4% de Flávio — empate técnico dentro da margem de erro.

É justamente aí que a campanha fica mais agressiva.

O eleitor brasileiro não está decidindo apenas com base em propostas. Está avaliando governo, economia, segurança, corrupção, religião, valores, família, confiança e, principalmente, quem ele não quer ver no Palácio do Planalto.

Por isso, a fotografia desta semana precisa ser lida com cuidado: Lula mantém vantagem numérica em boa parte dos cenários de primeiro turno, mas Flávio demonstra capacidade de transformar a disputa em uma eleição extremamente competitiva quando o confronto fica reduzido aos dois nomes.

A reta final, portanto, não apresenta uma eleição definida nas pesquisas. Apresenta uma eleição polarizada, com rejeições muito altas, forte disputa emocional e pequena distância entre os dois principais candidatos.

E talvez o principal desafio para o eleitor seja justamente separar aquilo que é fato daquilo que é propaganda, aquilo que é pesquisa daquilo que é narrativa e aquilo que é problema real do país daquilo que foi criado exclusivamente para ganhar alguns votos.

* O conteúdo de cada comentário é de responsabilidade de quem realizá-lo. Nos reservamos ao direito de reprovar ou eliminar comentários em desacordo com o propósito do site ou que contenham palavras ofensivas.
O sobrenome Furão carrega uma trajetória conhecida na política de São Gonçalo dos Campos e da região.
Eleições 2026 Há 7 horas

De Conceição da Feira para a Assembleia: João de Furão amplia trajetória política e conquista mandato de deputado estadual

Ex-prefeito deixa o comando de Conceição da Feira, vence a disputa pela ALBA e dá novo passo em uma trajetória construída entre a experiência administrativa e uma tradicional família política do Recôncavo

Finanças/Orçamento Há 8 horas

R$ 740 mil mudam de destino na Educação de São Gonçalo: o que mudou no orçamento municipal?

Decreto publicado pela Prefeitura retira recursos originalmente destinados à remuneração de profissionais da educação infantil e reforça ações de educação em tempo integral; mudança não significa, por si só, irregularidade, mas levanta perguntas que merecem resposta pública

Flávio Bolsonaro, que havia confirmado presença, desistiu do debate após as decisões judiciais. A Globo, diante da nova configuração, cancelou o programa.
MANOBRA DE LULA Há 4 dias

DEBATE NA GLOBO É CANCELADO APÓS INTERFERÊNCIA DE MINISTRA NOMEADA POR LULA

Decisões de última hora do TSE e do STF, pedido da coligação de Lula e cancelamento do debate da Globo expõem uma perigosa mistura entre Justiça, política e regras eleitorais

Idosos já contribuíram por uma vida inteira. O futuro não depende de uma urna, mas do cumprimento dos direitos e das políticas públicas que os governos têm o dever de garantir.
A VERDADE É ESSA! Há 4 dias

O VOTO É FACULTATIVO. A PRESSÃO NÃO DEVERIA SER: ATÉ ONDE PODE IR A JUSTIÇA ELEITORAL?

Aos 70 anos, o brasileiro conquista o direito de escolher se quer votar. Então por que TSE, governo e campanhas políticas intensificam o discurso para levá-lo às urnas?

MEXE REMEXE Há 6 dias

Prefeitura de São Gonçalo remaneja R$ 299 mil e retira recursos de saneamento, coleta seletiva, poços e educação especial

Decreto de abertura de crédito suplementar reforça recursos para eventos culturais, educação e infraestrutura, enquanto anula dotações previstas para programas ambientais e do Atendimento Educacional Especializado

Lenium - Criar site de notícias