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DESASTRE AMBIENTAL

Petrobras diz que óleo em praias saiu de 3 campos de petróleo da Venezuela

Mais cedo, Bolsonaro concordou com o ministro Ricardo Salles e acusou Greenpeace de estar por trás dos vazamentos

26/10/2019 08h14
Por: Sandro Araújo

A Petrobras anunciou que os estudos técnicos feitos sobre a origem do petróleo que contamina mais de 2,5 mil quilômetros do litoral do Nordeste não só indicam que o produto teria origem na Venezuela, mas de quais campos venezuelanos o material foi retirado.

De acordo com informações da Agência Estado, a borra de petróleo tem origem em três campos específicos de exploração da Venezuela. Para chegar a isso, a Petrobras comparou a composição química do material recolhido nas praias, com centenas de amostras de petróleo de todo o mundo, que a empresa mantém em um centro de pesquisas localizado na Ilha do Fundão, no Rio de janeiro.  

Isso não significa, porém, que a Venezuela tenha responsabilidade direta sobre o derramamento do óleo na costa brasileira, já que o material pode ter sido embarcado em navio de qualquer origem, inclusive embarcações ilegais.

De onde estaria vindo o óleo 

A hipótese de que o piche lançado no mar brasileiro seja resultado da operação criminosa de um "navio fantasma" é, para a Marinha, uma das mais prováveis atualmente. Isso porque, segundas as avaliações técnicas feitas, o produto não é comprado por nenhum outro país do mundo.

"Quando a gente fez a análise em mais de 30 amostras, concluiu que era de três campos venezuelanos, é um blend (uma mistura). A origem do petróleo é lá. A origem do vazamento é outra coisa, que a gente entende que é na costa brasileira. A Marinha e as universidades têm falado em torno de 300 km da costa", disse o diretor de Assuntos Corporativos da Petrobras, Eberaldo de Almeida Neto.

Após fazer cruzamento de uma série de dados, a Marinha enviou questionamentos técnicos formais a 30 embarcações que têm origem em 11 países. Todas elas passaram pela região no período investigado e possuem registros na Organização Marítima Internacional. As respostas a esses questionamentos ainda são aguardadas pela Marinha.

"Cada óleo ou petróleo tem uma assinatura geoquímica baseada na sua composição, que é muito específica. É por isso que a gente consegue saber se o óleo veio da Venezuela, da Baía de Santos, da Arábia Saudita (inclusive dos poços). Há bancos mundiais que dispõem dessa assinatura geoquímica do óleo. E é uma análise fácil de fazer e identificar a origem", explica Vanessa Hatje, especialista em Oceanografia Química da Universidade Federal da Bahia (UFBA). "Pra fazer essa identificação geoquímica, usamos biomarcadores do petróleo. São mais de 300 compostos que podem ser usados para determinar a identidade do óleo. (Colaboraram Fernanda Nunes e Roberta Jansen)  

Desastre ambiental 

Nesta sexta-feira (25/10), o presidente Jair Bolsonaro, em viagem a China, chamcou o vazamento de óleo no litoral brasileiro de  "ato terrorista" ao reforçar declaração polêmica do ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles. O ministro tinha atriuído a culpa pelo desastre ambiental ao Greenpeace, afirmação essa concordada pelo presidente.  

Já o presidente em exercício Hamilton Mourão, afirmou que o governo chegará aos responsáveis pelo vazamento de óleo nas praias do Nordeste. Hoje, foi anunciado que  R$ 200 milhões em linhas de crédito serão liberados para ajudar pequenos empreendimentosturísticos que foram afetados pelo vazamento de óleo.

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