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CORRUPÇÃO

Grupo cobrava propina para devolver carteiras apreendidas pelo DER

Grupo cobrava R$ 1,5 mil para devolver a motoristas infratores carteiras de habilitação apreendidas pelo Departamento de Estradas e de Rodagem. Pessoas que negociaram com os investigados podem ser denunciados por corrupção ativa

03/09/2019 10h31
Por: Sandro Araújo
Operação do MPDFT mirou suspeitos de cobrar propina para retirar multas do sistema do DER
Operação do MPDFT mirou suspeitos de cobrar propina para retirar multas do sistema do DER

Foco da Operação Trânsito Livre, do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), o esquema de corrupção e de cobrança de propinas no Departamento de Estradas e Rodagens do Distrito Federal (DER/DF) foi investigado ao longo de vários meses pelo Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco). Na semana passada, com o apoio da Polícia Rodoviária Federal, o órgão deflagrou duas fases da operação e prendeu, preventivamente, três investigados, um deles servidor do DER. As investigações continuam em busca de outros possíveis envolvidos.

O grupo atuava na extorsão de motoristas que tinham a CNH apreendida. Ao identificar o recolhimento dos documentos, eles ligavam para o infrator e ofereciam a possibilidade de não inserir a multa no sistema, destruir a infração e, por fim, devolver a CNH. Em troca, o motorista pagaria propina de cerca de R$ 1,5 mil, valor aproximado à metade do que custaria a multa.

Após descobrir o modo de atuação dos acusados, os investigadores monitoraram diversos encontros entre os suspeitos e os motoristas infratores para a entrega da CNH e para o pagamento da propina. A primeira fase da operação, deflagrada na última quarta-feira, teve como alvos um servidor do DER, a mulher dele e um funcionário comissionado da Secretaria de Segurança Pública.

O planejamento do MPDFT precisou ser acelerado e a operação foi adiantada, porque uma pessoa abordada pelo grupo os denunciou à Polícia Civil. Dois dos suspeitos foram presos em flagrante na terça-feira, mas liberados, após audiência de custódia, um dia depois. Momentos depois da soltura dos dois, no entanto, o MP, com apoio da Polícia Rodoviária Federal, os prendeu preventivamente. Os automóveis usados por eles nos encontros com motoristas também foram apreendidos.

Corrupção ativa

Além dos três integrantes do grupo, uma motorista é alvo da Operação Trânsito Livre. A mulher é suspeita de pagar propina para que uma multa fosse retirada e a CNH retida fosse devolvida. Os investigadores cumpriram mandados de busca e apreensão na residência dela. Na casa, encontraram uma via do auto de infração e outra do extrato do teste de alcoolemia, com a informação de que a motorista se recusou a soprar o bafômetro.

De acordo com as apurações do MP, a condutora combinou com o grupo criminoso que destruiria os documentos. Não havia registro da infração no sistema do DER em razão do pagamento de propina, segundo os investigadores. O MP afirma que há indícios de corrupção ativa.

Outro lado

Em nota, o DER/DF informou que instaurou processo administrativo para apuração das denúncias apresentadas contra o servidor do departamento. O órgão explicou que “após a soltura, (ele) continuará trabalhando normalmente, em outro setor do departamento, até que a investigação das denúncias seja finalizada”.

O funcionário que exercia a função de assessor técnico da chefia de gabinete da Secretaria de Segurança Pública foi exonerado, ainda na semana passada, quando o secretário Anderson Torres soube das evidências de envolvimento dele nos crimes sob investigação pelo Ministério Público. Até o fechamento da edição, o Correio não localizou a defesa dos investigados.

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