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2022

Para analistas, ao radicalizar discurso, Bolsonaro mira a reeleição

"A radicalização dele dificulta que nomes em gestação na direita para as eleições presidenciais se firmem."

31/07/2019 09h12
Por: Sandro Araújo
Antonio Cruz/ Agência Brasil Bolsonaro tem público fiel, mesmo com os discursos extremos dele
Antonio Cruz/ Agência Brasil Bolsonaro tem público fiel, mesmo com os discursos extremos dele

O presidente Jair Bolsonaro não tem economizado no discurso radical. Nem vai. Com quase sete meses completos de governo, essa continuará sendo a tônica da gestão dele, que mira a reeleição, em 2022. Historicamente, chefes de Estado costumam, em algum momento, flexibilizar as declarações para agregar outros polos. Com uma fatia de 33% do eleitorado que o avaliam como ótimo ou bom, segundo a última pesquisa Datafolha, Bolsonaro segue dentro dos 35% que tinha na última pesquisa de intenção de votos antes do primeiro turno, pela margem de erro. Ou seja, nada contra a maré e impõe um jeito diferente de comandar o país.

“Bolsonaro já está em campanha, e as declarações mostram que o discurso está, dentro da estratégia dele, dando certo, pois ele não deixa surgir outro oponente dentro do espectro político ou em outro polo”, avaliou o cientista político e sociólogo Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). A radicalização dele dificulta que nomes em gestação na direita para as eleições presidenciais se firmem, sejam da classe política, como o governador de São Paulo, João Doria (PSDB), sejam outsiders, como o apresentador Luciano Huck. “Não conseguem se firmar em face do sucesso de Bolsonaro. Não da ideia embrionária, pois, na estratégia dele, está dando certo”, sustentou Baía.

A tática de Bolsonaro mantém a polarização política no país. “E toda a estrutura feita por ele é de seguir assim, impedindo o surgimento de outros polos e a aglutinação de adversários que ficam entre esses polos”, destacou Baía. O chefe do Planalto desdenha publicamente de pesquisas, mas a equipe presidencial o alerta sempre que o eleitorado mais fiel a ele se mantém desde a corrida eleitoral. “Só vai mudar se começar a perder esse público. E isso dependerá de resultados do governo. Se a economia melhorar, surgir eficiência governamental e políticas públicas, e, com isso, as pessoas sentirem que a vida melhorou, ele ganha mais apoio”, ressaltou o especialista da UFRJ.

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