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Em 2018, Salvador deixou de ter o maior PIB do Nordeste pela primeira vez desde o início da série histórica, em 2002

Com R$ 63,5 bilhões de riqueza gerada, a capital baiana foi ultrapassada por Fortaleza/CE (R$ 67,0 bilhões) e caiu do 9º para o 10º lugar no ranking nacional do PIB dos municípios

16/12/2020 16h34
Por: Sandro Araújo Fonte: IBGE

Em 2018, o Produto Interno Bruto (PIB) de Salvador foi estimado em R$ 63,5 bilhões, avançando nominalmente (considerando a variação dos preços) em relação aos R$ 62,8 bilhões em 2017 (+1,1%). Ainda assim, a cidade deixou deixou de ser a maior Economia municipal da região Nordeste pela primeira vez desde o início da série histórica do PIB dos Municípios, em 2002. Em 2018, a capital baiana foi ultrapassada por Fortaleza/CE, que apresentou um PIB de R$ 67,0 bilhões.

Com isso, Salvador desceu um degrau no ranking dos maiores PIBs municipais do país, caindo de 9º para 10º lugar, considerando-se todas as 5.570 cidades, e de 8º para 9º lugar entre as 27 capitais. 

De uma forma geral, a capital baiana teve a 8a maior perda de participação no PIB nacional, de 0,95% em 2017 para 0,91% em 2018. São Paulo liderou esse movimento, caindo de uma participação de 10,61% em 2017 para 10,20% em 2018.

Dentre os 10 municípios com maiores PIBs no país, apenas Osasco/SP (R$ 76,6 bilhões) não é uma capital. O município de São Paulo tem, historicamente, o maior valor, que foi de R$ 714,7 bilhões em 2018, representando 10,2% do PIB brasileiro e mais de 11 vezes o PIB soteropolitano.

As perdas de participação e de posição por parte de Salvador nos PIBs nacional e nordestino, entre 2017 e 2018, se explicam, em parte, pela retração nominal da indústria na capital e, de forma mais importante, pela queda de participação nos serviços em geral.

Em 2018, o valor adicionado bruto da indústria soteropolitana ficou em R$ 6,9 bilhões, mostrando um recuo nominal de 6,4% frente ao gerado em 2017 (R$ 7,4 bilhões). 

Com isso, a indústria perdeu peso na Economia de Salvador (de 13,53% do valor total gerado pelo PIB em 2017 para 12,54% em 2018); e a capital baiana, por sua vez, perdeu participação no valor gerado pelo setor industrial em nível nacional (de 0,62% para 0,53%), regional (de 4,67% para 4,16% no Nordeste) e estadual (de 13,94% para 12,82% na indústria baiana).

O setor de serviços como um todo de Salvador (incluindo a administração pública) teve, em 2018, um valor adicionado bruto de R$ 48,2 bilhões, o que representou 87,4% do total gerado pela Economia soteropolitana no ano. Houve um crescimento nominal de 2,2% frente a 2017 (quando o valor tinha sido de R$ 47,2 bilhões, representando 86,4% do total). 

Mesmo assim, por esse crescimento ter sido menor do que o verificado em outros municípios, a capital perdeu participação no setor de serviços nacional (de 2,1% para 2,0%), do Nordeste (de 13,3% para 13,0%) e no próprio estado (de 49,7% para 48,1%, mantendo-se, nesse caso, ainda bastante relevante). 

A Bahia tinha, em 2018, 3 cidades entre os 100 maiores PIBs municipais brasileiros. Além da capital (10º), Camaçari (39º maior PIB do país) e Feira de Santana (68º) também estavam neste grupo.

Frente ao ano anterior, o estado perdeu 1 município entre os 100 maiores PIBs. São Francisco do Conde, que tinha a 97ª maior Economia do país em 2017, teve retração nominal no seu PIB, de R$ 10,1 bilhões para R$ 8,9 bilhões (-12,4%), e, apesar de se manter como o 4o maior PIB da Bahia, caiu para a 130ª posição nacional.

Salvador, Camaçari e Feira de Santana mantêm os maiores PIBs do estado; PIB da capital é maior que a riqueza somada de 86,1% dos municípios baianos

Desde 2002, início da série histórica do IBGE, Salvador e Camaçari têm os maiores PIBs da Bahia; e, desde 2004, Feira de Santana ocupa a terceira posição. Em 2018, não foi diferente. Os PIBs de Salvador (R$ 63,5 bilhões), Camaçari (R$ 23,8 bilhões) e Feira de Santana (R$ 14,7 bilhões) apresentaram leves crescimentos nominais em relação a 2017 e se mantiveram como os maiores.

Os 10 municípios da Bahia com os maiores PIBs concentraram, naquele ano, mais da metade da riqueza do estado (50,8%). Mas houve mudanças neste ranking entre 2017 e 2018. 

Luís Eduardo Magalhães (R$ 6,2 bilhões em 2018) ultrapassou Simões Filho (R$ 5,8 bilhões) e passou a ser a 7ª maior Economia baiana. Barreiras subiu do 10º para o 9º lugar (R$ 4,7 bilhões) e Candeias (R$ 4,4 bilhões) entrou no grupo, avançando de 11º para 10º. Por outro lado, Itabuna (R$ 4,1 bilhões) deixou o “top-10”, caindo de 9º para 13º lugar, entre 2017 e 2018.

No outro extremo, os três municípios baianos com os menores PIBs, em 2018, foram Ibiquera (R$ 27,7 milhões), Dom Macedo Costa (R$ 32,1 milhões) e Contendas do Sincorá (R$ 36,9 milhões) - que não fazia parte desse trio em 2017, mas caiu duas posições de um ano para outro, superado por Cravolândia e Lafaiete Coutinho.

Outro sinal da concentração da geração de riqueza na Bahia é o fato de que, em 2018, o PIB de Salvador (R$ 63,5 bilhões) foi superior à soma do valor gerado pelos 362 municípios baianos com os menores PIBs, o que equivale a 86,1% das 417 cidades do estado. Estes 362 municípios juntos geraram uma riqueza de R$ 62,9 bilhões.

Em 16 anos (2002-2018), Salvador é quem mais perde e Feira de Santana é quem mais ganha participação no PIB da Bahia

Apesar da elevada concentração do PIB baiano na capital, em 16 anos (2002-2018) Salvador foi o município que mais perdeu participação na riqueza gerada no estado. Por outro lado, quem mais ganhou peso na Economia da Bahia, nesse período, foi Feira de Santana, no Centro-Norte.

Em 2002, de cada R$ 100 gerados na Bahia, cerca de R$ 27 vinham de Salvador, que respondia por 26,8% do PIB do estado. Em 2018, a participação ficou em 22,2%, ou seja, a capital era responsável por pouco mais de R$ 22 de cada R$ 100 gerados no estado. Já Feira de Santana, que contribuía com 3,7% do PIB da Bahia em 2002, viu sua participação crescer para 5,1% em 2018.

As duas cidades têm forte peso nos serviços privados (excluindo-se a administração pública), que representavam em 2018 72,0% do valor gerado pelos setores produtivos em Salvador e 65,1% do valor gerado em Feira de Santana.

A perda de peso de Salvador no PIB baiano se explica justamente pela redução da importância da capital nos serviços privados (de 42,3% para 31,4% do valor gerado pelo setor no estado, entre 2002 e 2018), com uma perda relevante também na indústria (de 18,8% para 12,8%).

Já o ganho de Feira se deu com um pouco mais de força no setor industrial da Bahia (de 2,9% em 2002 para 4,5% em 2018) do que nos serviços privados (de 4,8% para 6,4% do valor gerado no estado).

Com destaques para o algodão e a soja, São Desidério e Formosa do Rio Preto ficam com os maiores PIBs agropecuários do Brasil em 2018

Em 2018, pelo segundo ano consecutivo, o município de São Desidério, no Oeste baiano, ocupou o posto de maior PIB agropecuário do país, com um valor adicionado bruto de R$ 2,5 bilhões, o que representou um crescimento nominal (considerando a variação dos preços) de 65,2% em relação a 2017 (R$ 1,5 bilhão). 

A agropecuária respondia por 70,5% da Economia da cidade, naquele ano, e o bom resultado se deu por conta do desempenho positivo das lavouras de algodão e soja.

A novidade em 2018 ficou com a 2a posição no ranking nacional do valor gerado pela agropecuária, que passou a pertencer ao município baiano de Formosa do Rio Preto, com R$ 1,8 bilhão. A cidade, também no Oeste do estado, era o 7º maior PIB agropecuário no ano anterior e teve um ganho nominal de 71,6% no valor entre 2017 (que era de R$ 1,1 bilhão) e 2018.

Além desses dois municípios, Barreiras também passou a figurar entre os 10 maiores valores gerados pela agropecuária brasileira, com a 9ª colocação em 2018 (frente à 24ª em 2017) e um valor de R$ 1,1 bilhão. Estes três municípios baianos são os únicos fora da região Centro-Oeste no “top-10” do PIB agropecuário nacional.

A boa situação das lavouras de commodities fez com que São Desidério e Formosa do Rio Preto estivessem ainda entre os municípios que mais ampliaram sua participação no PIB baiano entre 2017 e 2018, com o maior ganho e o terceiro maior, respectivamente. São Desidério avançou de uma participação de 0,88% para 1,27% do PIB do estado, enquanto Formosa do Rio Preto passou de 0,65% para 0,94%.

Administração pública representa mais da metade do PIB de quase 3 em cada 10 municípios baianos (109 cidades ou 26,1% do total)

A Bahia tinha em 2018, cinco municípios entre aqueles com os 20 maiores valores gerados pela agropecuária (São Desidério, Formosa do Rio Preto, Barreiras, Correntina e Luís Eduardo Magalhães); um município entre os 20 maiores valores gerados pela indústria (Camaçari, 17º) e um município entre os 20 maiores valores gerados pelos serviços privados (Salvador, 9º). Entretanto, era a administração pública que dominava o PIB de quase 3 em cada 10 cidades baianas.

As atividades ligadas à administração, defesa, educação e saúde públicas e seguridade social representavam mais da metade do valor gerado em 109 dos 417 municípios da Bahia (26,1% do total). 

Somando a eles as cidades em que, mesmo quando não era mais da metade do PIB, a administração pública ainda tinha o maior valor adicionado, chegava-se a 306 dos 417 municípios baianos. Ou seja, a administração pública era a principal geradora de riqueza para pouco mais de 7 em cada 10 cidades do estado (73,4%). 

Uma maior dependência da administração pública reflete menor dinamismo da economia municipal.

De 2017 para 2018, São Francisco do Conde cai de 7º para 10º maior PIB per capita do país (R$ 225.290,31)

Em 2018, o PIB per capita brasileiro (valor do PIB dividido pela população estimada no ano) foi de R$ 33.583,82, e o baiano ficou em R$ 19.324,04. 

Na Bahia, o destaque nesse indicador foi, mais uma vez, para São Francisco do Conde. Com R$ 225.290,31 (quase 7 vezes o valor do país e 12 vezes o valor do estado), ele se manteve como município baiano com o maior PIB per capita. Perdeu posição, porém no ranking nacional, do 7o lugar em 2017 para o 10o em 2018.

O maior PIB per capita do país ficou com o município de Presidente Kennedy/ES (R$ 583.171,85), seguido por Ilhabela/SP (R$ 419.457,22) e Selvíria/MS (R$ 362.080,40).

O posto de segundo maior PIB per capita da Bahia, que pertencia a Camaçari em 2017, passou a ficar com São Desidério (R$ 109.841,86) em 2018. Camaçari também foi ultrapassado por Formosa do Rio Preto (R$ 106.481,34), que completava o “top-3”.

O PIB per capita de Salvador em 2018 foi estimado em R$ 22.232,68, e o município caiu no ranking estadual, da 29a posição em 2017, para a 36ª no ano seguinte. Segue também entre as capitais brasileiras com menor PIB per capita, acima apenas Macapá/AP (R$ 22.181,72), Maceió/AL (R$ 22.126,34) e Belém/PA (R$ 21.191,47).

É importante salientar que nem todo PIB gerado no município é apropriado por sua população residente, uma vez que a geração do PIB e a renda disponível para consumo não são necessariamente iguais.

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Sobre o município
Feira de Santana é um município brasileiro no interior do estado da Bahia, Região Nordeste do país. É a cidade-sede da Região Metropolitana de Feira de Santana e encontra-se localizada no centro-norte baiano, a 108 quilômetros da capital estadual, com a qual se liga através da BR-324. Feira é a segunda cidade mais populosa do estado e primeira cidade do interior nordestino em população, ou seja, é a maior cidade do interior das regiões Norte, Nordeste, Centro Oeste e Sul do Brasil.
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