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Saúde Pós/Pandemia

Especialistas preveem uma 4ª onda da saúde mental em função da pandemia e do isolamento social

"Não sairemos dessa pandemia da mesma forma que entramos, principalmente aquelas pessoas que já estão comprometidas emocionalmente". A afirmação é da psicóloga Soraya Carvalho, coordenadora do NEPS - Núcleo de Estudo e Prevenção do Suicídio, um serviço de psicologia ligado ao CIATox- Bahia.

10/09/2020 14h53
Por: Sandro Araújo Fonte: Ascom Sesab+
Especialistas preveem uma 4ª onda da saúde mental em função da pandemia e do isolamento social

Uma pesquisa da Universidade de Oxford analisou 62 mil pacientes infectados pela COVID 19 e identificou ansiedade, depressão e insônia no período de três meses após a infecção. "Este risco é cerca de duas vezes maior do que o esperado entre pacientes que foram hospitalizados", disse o pesquisador que chefiou o estudo britânico, Maxime Taquet.

Todas as pesquisas e estudos psiquiátricos que vêm sendo realizados no mundo em plena pandemia reforçam a tese do surgimento do que os especialistas chamam de 4ª onda da saúde mental. A expressão "quarta onda" refere-se ao surgimento de novos casos de transtornos mentais ou agravamento de casos já existentes, como consequência aos estressores impostos pela pandemia da Covid 19.

Segundo o psiquiatra baiano André Caribé, tragédias anteriores mostraram que as implicações para a saúde mental podem durar mais tempo e ter maior prevalência que a própria epidemia e que os impactos psicossociais e econômicos podem ser imensos.

"As medidas rígidas de isolamento social que foram implementadas pelas autoridades sanitárias geraram uma ruptura abrupta na rotina dos indivíduos e na dinâmica do funcionamento das cidades. Tal situação provocou um estado de tensão e ansiedade coletivas, pois o isolamento repentino de familiares e amigos, o medo, a ansiedade, o estresse, alterações nos padrões de sono e alimentação produzem inevitavelmente um impacto na saúde mental da maioria das pessoas."

Prevenção - A Organização Mundial da Saúde afirma que o suicídio é evitável em 90% dos casos. "É um fenômeno complexo, multifatorial e tem uma série de fatores de risco, dentre eles um dos mais bem estabelecidos é o adoecimento mental. Por isso, para se falar em prevenção ao suicídio tem que se falar em melhorias das politicas públicas em saúde mental. Tratamento precoce, acesso rápido a serviços de saúde, orientação à população e a diminuição do estigma são fundamentais para se tentar diminuir o número de casos", reforça Caribé.

Apesar de todos os fatores complicadores a que a população mundial foi exposta em função da pandemia da Covid-19, os especialistas e estudiosos do assunto, contudo, afirmam que não se sabe, ainda, se este impacto aumentará as já elevadas taxas de suicídio mundiais.

Na Bahia, dados da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab) indicam que entra os anos de 2010 a 2019 ocorreram 8.833 casos de lesões autoprovocadas e desses, 5.160 foram de casos de suicídio. No ano passado, foram contabilizados 634 óbitos por suicídio e esse ano, até agora, foram 384 óbitos.

O suicídio, hoje, representa mais da metade das mortes violentas no mundo, com cerca de 1 milhão de mortes por ano no mundo, o correspondente a aproximadamente um suicídio a cada 35 segundos. O Brasil ocupa o 8º lugar no ranking, com quase 12.000 mortes ao ano.

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