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Pandemia: Segundo Fabiano de Abreu, "a morte perderá o seu peso, o individualismo buscará razão

Para o filósofo, psicanalista e especialista em estudos da mente humana Fabiano de Abreu, os tempos atuais trarão mudanças inevitáveis na forma com encaramos a morte e o individualismo chegará ao seu pico.

07/05/2020 15h51
Por: Sandro Araújo
Pandemia: Segundo Fabiano de Abreu,

Para o filósofo, psicanalista e especialista em estudos da mente humana Fabiano de Abreu, os tempos atuais trarão mudanças inevitáveis na forma com encaramos a morte e o individualismo chegará ao seu pico.

"Em meio a tantos rostos virtuais, nos encontrávamos sós e uma tragédia global causou a irrelevância do indivíduo quando a morte perdeu o seu peso e valor. A tragédia a confirmar o individualismo.", explica Fabiano de Abreu.

Para o filósofo a realidade cria uma espécie de imunidade colectiva em relação a certos aspectos da vida. Quando a morte é relato diário apenas se espera que não nos toque ou não toque a quem gostamos, tudo o resto parece ficar subvalorizado.

Segundo Abreu, "a morte daquele que não nos relacionamos não causa o mesmo impacto daquele que conhecemos e, quanto maior for a proximidade, maior será o peso da sua morte. As notícias da morte de alguém que antes chocara, em meio a tantos outros óbitos anunciados, adaptáveis que somos, costumeiro e cotidiano, perde o seu devido respeito e nos coloca em completa solidão em um curso em que o fim, deriva em reticências."

Há um egoísmo envergonhado por sentir um rasgo de felicidade em sair impune na tragédia. É o extinto de sobrevivência a dar cartas quando a ameaça é real.

"Personificados em uma solidão inconsciente, sozinhos no prazer pela tragédia alheia que ainda não batera à sua porta, a solidão do isolamento encontra novas razões a justificar a solidão, transferindo a culpa pela justificada precaução a alterar comportamentos e a criar personalidades.", comenta o filósofo.

Para Fabiano de Abreu há sempre lições importantes a tirar de cada acontecimento e este momento não é excepção. Segundo as suas palavras: "... que vejamos em cada morte possibilidades como vultos na janela, a valorizar caminhos interrompidos como um espelho de probabilidades. Tão racional é a busca no conhecimento a aprofundar-se na imaginação do que poderia acontecer consigo mesmo, tão racional é sentir-se vivo pela consciência da morte na razão da vida. Não há melhor precaução que a análise através da sensibilidade com a tragédia alheia, a utilizar da emoção como impulso para uma melhor reflexão como mecanismo de defesa para a própria sobrevivência."

"A solidão é o momento para o autoconhecimento em que a reflexão veja no exemplo a expansão já que a luz da memória está no coletivo, em que a emoção torna-se o impulso para armazenarmos recordação a guardar para a história.", acrescenta.

Para o psicanalista estes acontecimentos deviam tornar-nos mais humanos e não devíamos sentir a tentação de ceder à irracionalidade causada pelo medo.

"Que o momento nos ensine sobre o coletivo e que nos falte em meio ao impacto a vontade que nos faça introduzir o que temo, em meio a irracionalidade, uma nova cultura que nos faça parar de existir, como humanos.", concluí.

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