Professores e estudantes produzem livros sobre origem e cultura de Conceição de Jacuípe

A comunidade escolar do Colégio Estadual Domingos Barros de Azevedo, localizado em Conceição de Jacuípe (a 77 km de Salvador), popularmente conhecido como Berimbau, publicou dois livros sobre a memória da cidade. A proposta das publicações foi estimular nos estudantes o gosto pela pesquisa, pela história e, ao mesmo tempo, promover o pertencimento quanto às suas origens.

O primeiro livro foi batizado de “Tem nome esquisito minha rua: descobrindo a história que há por trás dos nomes das ruas de Conceição do Jacuípe”, de autoria da professora Elizabeth Silva, sob pesquisa dos alunos do 6º ano. O segundo livro, “Como esse Berimbau começou a tocar: um passeio pela história de Conceição do Jacuípe”, nasceu do projeto pedagógico "Como nosso Berimbau começou a tocar" e foi escrito pelas professoras Arali Oliveira, Maria Paula de Souza e Núbia Leticia de Souza, além da já citada Elizabeth Silva, também sob pesquisa dos estudantes da unidade escolar, responsáveis ainda pela ilustração da edição.

A ideia dos livros surgiu dos professores, com a colaboração dos estudantes, que viram neles uma possibilidade de as pessoas conhecessem mais sobre a origem e cultura da sua cidade. Incentivados pelo projeto "Berimbau, meu pedacinho de Brasil", os estudantes do 6º ano fizeram entrevistas com moradores de Conceição do Jacuípe para saber a origem dos nomes curiosos e esquisitos das ruas da cidade. A organizadora da publicação, a professora Elizabeth Silva, explica que, a partir do livro “Tem nome esquisito na minha rua...”, os moradores descobriram a história que há por trás dos logradouro de Conceição do Jacuípe, a exemplo de Rua Mela Rego, Rua do Cacete, Rua do Garrancho, Rua do Fogo e Rua Toca do Sapo.

A origem do apelido Berimbau também foi explicada: tudo começou por causa de uma feira livre que surgiu na cidade, em 1914, e era frequentada por trovadores, violeiros, pandeiristas e tocadores de berimbau. Um certo dia, fizeram uma trova que se encerrava com o nome 'Feira de Berimbau', surgindo, assim, o segundo nome do município de Conceição do Jacuípe, como revela a autora.

A experiência foi abraçada pela comunidade escolar e, em 2018, estudantes e professores se animaram para realizar a produção de um novo livro: "Como nosso Berimbau começou a tocar" e, neste ano, pretendem lançar uma nova publicação. “Trata-se de um trabalho pioneiro para a cidade que não tem qualquer referência registrada formalmente. Nestas duas publicações estamos deixando um legado para a escola e para o povo de Conceição de Jacuípe e, para nós, é um orgulho muito grande a escola pública estadual estar dando esta contribuição para a sociedade”, afirma uma das autoras, Núbia Letícia, que atualmente está no cargo de vice-diretora da unidade escolar.

Berimba – No segundo livro, o mote se manteve o mesmo – fazer com que as pessoas conhecessem melhor a sua cidade – por meio de 54 páginas (mais que o dobro do primeiro, que tem 24) e um personagem foi criado para tornar a leitura ainda mais

lúdica. Em “Como esse Berimbau começou a tocar”, João Vitor, o Berimba, tem que fazer uma pesquisa de História sobre o município onde ele mora. Para cumprir com a atividade, ele recorre a Dona Ana, sua avó, e a Seu Antonio, que conhecem Berimbau como ninguém. Ao conversar com eles, Berimba vai organizando o seu trabalho. Nessa viagem, ele aprende sobre aspectos históricos e culturais da cidade. O livro traz ainda a seção "Você Sabia?", que tem a função de explicar mais a fundo alguns dados presentes na narrativa. No final, as autoras sugerem que a pesquisa de Berimba se transforme em um livro sobre a cidade, que foi o que aconteceu na realidade.

Sandro Araújo

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