Marcelo Ramos quer revelar novos craques de futebol

Para o ex-artilheiro e vice-presidente da ACEB, organizar uma peneira tem um significado especial 
Talento, dedicação e oportunidade. Com base nesta tríade, Marcelo Ramos, ex-artilheiro do Bahia, do Cruzeiro, do Santa Cruz e de tantos outros times, construiu sua carreira de sucesso no futebol. Conhecido como “colecionador de times”, o atual vice-presidente da Associação Classista de Educação e Esporte da Bahia (ACEB) se dedica a inúmeros projetos. Um deles busca revelar atletas que possam vir a se tornar profissionais de alto rendimento em times brasileiros.

Com este foco, motivado por recordações do início de sua carreira, Marcelo Ramos está organizando a Peneira “Revelando Potencialidades do Esporte – Edição Armando Campos”. O evento acontecerá no próximo dia 9, a partir das 9 horas, no campo da Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia, em Lauro de Freitas. Podem participar meninos nascidos nos anos de 2004 a 2006, apaixonados por futebol, que reúnam habilidades especiais na modalidade.
Marcelo Ramos, vice-presidente da ACEB

“A ideia, inicialmente, é montar um time ‘acebiano’ formado pelos melhores jogadores, revelados na peneira, para disputar torneios regionais. Os que mais se destacarem terão uma atenção especial da minha parte”, declarou Marcelo Ramos. Para participar do evento esportivo, cada participante deve levar pelo menos um quilo de alimento não-perecível para doação a uma entidade filantrópica. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (71) 999315-3201.

Recordações - Em 1986, aos 13 anos, Marcelo Ramos participava de um “time” chamado “Várzea”, formado por colegas e vizinhos que, como ele, moravam na Avenida Vasco da Gama, em Salvador. Naquele ano, seu time disputou a Copa “Dente de Leite”. Embora o time infantil do Bahia tenha vencido o torneio, aquela competição abriu caminhos para o atleta, pois um “olheiro” do time vencedor o convidou para fazer um teste no Bahia, em que Marcelo foi aprovado e jogou por seis meses.

Após este período, o jogador preferiu se afastar porque preferia bater baba de rua com os amigos. “Naquela fase da minha infância, a disciplina dos treinos não me parecia interessante. Não tinha maturidade suficiente e não estava nos meus planos fazer do futebol a minha profissão até então”, contou. Entretanto, o atleta não podia fugir do seu destino e, aos 16 anos, já disputava torneios em equipes de “gente grande”.

“Lembro-me que ainda adolescente fiz muitos gols jogando no ‘Juventude’, um time de adultos, em um campeonato no SESC. A partir de resultados como esse, muita gente me aconselhava a voltar para o Bahia, mas eu ainda não estava muito certo do que eu queria. Eu também gostava muito de jogar vôlei na Associação Atlética da Bahia, onde acabei conhecendo o treinador de um time juvenil de futebol que, ao ver meu desempenho em campo, me incentivou a voltar para o Bahia”, recorda Marcelo.
Ao retornar para a divisão de base do Bahia em 1989, Marcelo logo se destacou e em uma semana já estava marcando gols pelo tricolor juvenil. Em 1990, ele passou para o Time de Juniores e em 1991, ainda aos 17 anos, teve sua primeira oportunidade de jogar no time principal do Bahia em um amistoso contra o time da Catuense, no qual marcou gols. Em 1992, já como titular, o jogador disputou seu primeiro campeonato brasileiro, aos 19 anos. Nos anos seguintes, como artilheiro do Campeonato Baiano, Marcelo vivenciou um dos momentos mais importantes de sua carreira, quando, em 1994, conquistou o Bicampeonato Baiano com mais de 100 mil pessoas na Fonte Nova, tornando-se o sexto maior artilheiro da história do clube, com 128 gols marcados.

Neste mesmo ano, durante o Brasileirão, seus muitos gols e alto rendimento chamaram a atenção do Cruzeiro, que comprou o passe do jogador em 1995. Como “Flecha Azul”, como ficou conhecido no time mineiro, Marcelo venceu o Campeonato estadual e a Copa do Brasil no mesmo ano. Após passagem pelo PSV Eindhoven, da Holanda, em 1997, ele retornou à Toca da Raposa, onde consagrou-se campeão da Taça Libertadores das Américas. Após um período em Belo Horizonte, Marcelo foi contratado pelo Palmeiras e São Paulo. Em seguida, foi jogar no Japão. Quando retornou ao Brasil, voltou novamente ao Cruzeiro, onde acumulou, em suas três passagens, 162 gols, sendo o quinto maior artilheiro da história do clube.

Após outra passagem pelo Japão, Marcelo Ramos voltou ao Brasil para jogar no Corinthians e no Esporte Clube Vitória. Depois, jogou na Colômbia e, quando voltou, jogou pelo Santa Cruz, Atlético Paranaense e Bahia. No retorno ao clube tricolor, o craque foi um dos grandes destaques da equipe. Em seu retorno posterior ao Santa Cruz, onde já havia jogado em 2007, ele se sagrou, novamente, artilheiro do Campeonato Pernambucano. Em 2011, Marcelo encerrou a carreira profissional, jogando pelo Itumbiara de Goiás. De lá pra cá, tem recebido inúmeras homenagens, sobretudo como ídolo do Bahia, do Cruzeiro e do Santa Cruz.

Novos projetos - Paralelamente à sua atuação como vice-presidente da ACEB, Marcelo Ramos participa de torneios de futebol Master, em equipes como a do Cruzeiro. Além disso, o eterno craque teve uma experiência recente como Auxiliar Técnico do Valério Doce Esporte Clube, em Minas Gerais, e se prepara para atuar na área técnica de outras equipes de futebol.

Como vice-presidente da ACEB, Marcelo Ramos pretende realizar outras peneiras ao longo do ano, “mas a primeira edição tinha que ser em homenagem ao acebiano Armando Campos, eterno presidente da Associação dos Funcionários Públicos do Estado da Bahia (AFPEB), que nos deixou recentemente. Esta foi a forma que encontramos de homenageá-lo”, finalizou.

Sandro Araújo

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