"Uma obra que levanta suspeitas"; nem foi entregue e já reclamam, duvidam de sua qualidade

Você já ouviu a expressão "Trabalho de Jerico"? Isso se usa quando alguém realiza algo mal feito e é preciso refazer o serviço, da forma correta. É exatamente o que poderá acontecer no bairro Murilo Leite, em São Gonçalo dos Campos, com a implantação de um "sistema de drenagem de águas", onde estão sendo utilizados tubos de PVC de 100mm, o mesmo utilizado em uma rede de esgoto residencial.

Acionado por alguns moradores o SGAGORA esteve no local da obra para ver de perto o motivo das reclamações. Algumas ruas do loteamento estão sendo pavimentadas com paralelepípedo e um "sistema" de drenagem também está sendo implantado. Não descobrimos ao certo se a implantação é apenas para as residências despejarem suas águas ou também em caso de fortes chuvas ocorra a drenagem das ruas. Os moradores aprovaram a pavimentação e estão contentes em saber que não viverão mais com a poeira e lama, porém alguns não acreditam que o "sistema" de drenagem funcione corretamente, e temem problemas de entupimento no futuro.
Em conversa com o engenheiro civil e mestre de obras Luan Venâncio, explicamos passo a passo como está sendo feito o sistema. Sem muitas palavras o mestre de obras de imediato não aprovou o uso do tubo de PVC 100mm, o desnível desses tubos e também a "caixa de esgoto" com manilha de concreto de baixo diâmetro e aparentemente rasa profundidade.
Segundo Luan, a vazão da tubulação é baixa para o grande volume de água tanto da chuva quanto águas residenciais, com o risco ainda do acúmulo de gordura, restos de comida em geral e outros resíduos que porventura sejam despejados de forma proposital ou não. Acontecendo isso pode sim acontecer entupimento e, como a "caixa de esgoto" também é estreita, quem for tentar limpar irá encontrar bastante dificuldade.
Em uma das ruas, a Rua 13 de Junho, no dia 7 de julho ficou completamente alagada e os moradores tiveram que quebrar os meios fios para que água escoasse e não invadisse as casas. Neste dia, uma forte chuva mostrou o que aqueles moradores irão passar em todo período de chuva.
O "sistema" de drenagem que está sendo implantado será interligado em um velho sistema, com manilhas de concreto que passa pela Rua 13 de Junho, porém está entupido. Segundo moradores, durante esta obra foi entupido mais ainda enquanto a máquina fazia o nivelamento da rua, o que causou também o alagamento. Outra reclamação é a lentidão da obra.
"Não sabemos se 5 pessoas estão trabalhando nesse calçamento, às vezes vejo até 3 pedreiros, se a obra não iria começar por aqui [Rua 13 de Junho] porque não deixaram para fazer esse patrolamento quando chegasse a vez dessa Rua? Isso é uma esculhambação, as pessoas ficam praticamente impedidas de entrar em suas casas, guardar carros e, para completar, se chover ficaremos ilhados como aconteceu no feriado da Independência."
Nenhuma das quatro vezes que o SGAGORA esteve no canteiro de obras encontrou alguém autorizado a falar sobre as reclamações. A obra de pavimentação está orçada em R$ 220,401,11, começou dia 6 de julho deste ano e faz parte de um convênio do Governo Federal com participação do Ministério das Cidades, Caixa Econômica Federal e Prefeitura Municipal. A previsão de entrega é 6 de março de 2019.

Já o calçamento realizado na Rua Campo Sales e Travessa João Ferreira não passaram no selo de qualidade "boa obra" opinião do morador. Isso porque nos primeiros dias de uso começou a ceder. Na Travessa João Ferreira a impressão é como se os paralelos estivessem soltos e apenas montados feito quebra cabeça em cima da areia. Os rastros dos veículos que já afundaram no calçamento nem dar para passar despercebidos.
Travessa João Ferreira
Travessa João Ferreira
Travessa João Ferreira
Campo Sales

 Por Sandro Araújo

Sandro Araújo