ELEIÇÕES 2018: Saiba quem são os 14 candidatos a presidente da República e seus vices

Disputa deste ano se assemelha à de 1989 pelo número de candidatos. Para analistas políticos, dos 14 postulantes ao cargo, apenas seis têm chances de ir adiante


Em 1989, a primeira eleição depois da redemocratização do país, um governo enfraquecido pela CPI da Corrupção e por inflação mensal de 80% fez a maioria dos partidos testar a força nas urnas. Desta vez, a situação não é muito diferente. A Lava-Jato e seus desdobramentos levaram Lula para a cadeia e solaparam a popularidade do governo Michel Temer, que tentava ganhar confiança para recuperar a economia. Diante desse quadro, o número de candidatos a presidente da República se multiplicou, atingindo 14. Só não é maior por causa da lição do pleito de 1989. Lá atrás, com tantos postulantes ao cargo, passaram ao segundo turno os extremos do espectro político e com um discurso da antipolítica — Fernando Collor de Mello, do então minúsculo PRN, e Luiz Inácio Lula da Silva, candidato de um PT bem mais modesto. Nesta eleição, o esforço por alianças, nos últimos dias, foi justamente para tentar evitar que a história se repita.

Na disputa de 1989, o PSDB lançou Mário Covas; o PTB, o ex-ministro dos Transportes, Affonso Camargo; o PL, Guilherme Afif Domingos; o PSD, Ronaldo Caiado; o PFL (atual DEM), o ex-ministro e ex-vice presidente Aureliano Chaves. Agora, DEM, PTB, PSD (atual partido de Afif Domingos) se uniram ao PSDB para evitar que o segundo turno termine na mão dos extremos representados por Jair Bolsonaro (PSL) e um nome de esquerda, seja Ciro Gomes, seja quem chegar pelo PT.

A engenharia política dos últimos 10 dias levou para Alckmin nove partidos e a maior coligação eleitoral. Mas não foi suficiente para tirar o senador Alvaro Dias (Podemos-PR) do páreo. Assim como em 1989, o PTB de Affonso Camargo não quis conversa com o PSDB nem com o PDT, tampouco Marina Silva, que vai para a campanha com uma estrutura semelhante àquela que Fernando Gabeira, o candidato do PV, obteve à época. Gabeira, num mundo sem internet, “morreu na praia”.

Os especialistas, no entanto, não colocam Marina entre os candidatos marcados para morrer na praia. Eles listam, hoje, seis com chances reais de chegar ao segundo turno, porém, consideram difícil fugir da polarização PT-PSDB. “Ainda vejo essa polarização como uma realidade concreta, porém não está garantida por causa do surgimento de outras opções que se mostram viáveis”, diz Cristiano Noronha, da Arko Advice.

Com chances

Além de Alckmin e do candidato do PT, que dificilmente será Lula, Noronha cita Jair Bolsonaro, do PSL; Alvaro Dias, do Podemos; Marina Silva, da Rede Sustentabilidade; e Ciro Gomes, do PDT, como os que têm de ir adiante. Ou seja, seis das oito candidaturas que fecharam coligação.

A probabilidade de uma das outras oito candidaturas chegar longe na campanha é ínfima. Seja por falta de capilaridade nos estados, seja por falta de recursos. Dessas, duas formaram aliança. O MDB, de Henrique Meirelles, e o PSol, de Guilherme Boulos, ambas com chapas puras. Mas nem mesmo eles alçarão voos altos. Os socialistas são pequenos e não conseguirão crescer em uma frente da esquerda, que já conta com Ciro e o PT.

Os emedebistas também terão vida difícil, devido à imagem vinculada ao governo Temer, pondera Noronha, da Arko. “Meirelles não é unanimidade no MDB, e a associação dele com a popularidade muito frágil do governo, que tem um alto índice de rejeição, é uma situação muito prejudicial”.

Dos seis mais cotados, Ciro e Alvaro têm chances equiparáveis. O pedetista conta com prestígio de boa parte de eleitores da esquerda, mas os poucos minutos que terá de televisão são obstáculo para expor ideias e abocanhar eleitores do PT. A lógica envolvendo o senador do Podemos não é muito diferente. Ele é pouco conhecido fora do Sul do país, e a coalizão montada não garante muita visibilidade. “Também é uma estrutura modesta”, pondera Noronha.

O cenário de Marina não é muito melhor. Ela ainda tem um eleitorado cativo das duas últimas eleições. No entanto, diferentemente de 2010 e 2014, o ambiente é mais hostil. Não no sentido de rejeição, mas de dificuldades. Há postulantes com maior potencial de crescimento nas eleições, como Alckmin, ou eleitores mais fiéis, como os de Bolsonaro. Pesa contra Marina a fraca coligação montada. Há quatro anos, depois da morte de Eduardo Campos, ela passou a liderar uma aliança do PSB com outros cinco partidos, montada pelo ex-governador de Pernambuco, que faleceu num acidente aéreo em 13 de agosto de 2014. Dessa vez, Marina conta apenas com o PV. Os recursos também caíram. Eram R$ 45 milhões. Agora, a Rede tem um limite de R$ 10 milhões para gastar com todas as campanhas.

O ambiente acaba sendo propício para Bolsonaro, Alckmin e o PT. O primeiro conta com um eleitorado cativo e com a onda conservadora que cresce na América Latina e no mundo. Mas não dispõe de minutos de televisão e precisará apostar muito no marketing digital, onde a tendência ao longo da campanha é de que o jogo fique empatado. O tempo de televisão é fator positivo para Alckmin, que caminha para 12 inserções diárias na programação normal das emissoras. O PT terá no máximo cinco inserções diárias e Bolsonaro, uma a cada dois dias.

A capacidade de Bolsonaro de se manter no topo das eleições com uma estratégia limitada às redes sociais é questionada pelo sociólogo e cientista político Paulo Baía, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Por esse motivo, ele também aposta numa desidratação de Bolsonaro e a volta de uma polarização entre o PSDB, fortalecido pelo centrão, e o PT, que deve montar uma tática para transmitir os votos de Lula ao candidato que vier a ser o “plano B, provavelmente, Fernando Haddad.

Ciente de que, em 1989, quase perdeu a vaga no segundo turno para o PDT, de Leonel Brizola, o PT tentou até o último minuto “limpar a área”. Queria, na verdade, reconstruir a coligação PT-PSB-PCdoB que, naquele ano, guindou Lula ao segundo turno por uma diferença de 0,6% dos votos em relação a Brizola. Agora, os petistas conseguiram tirar fôlego do candidato do PDT, que estava prestes a conseguir um acordo com o PSB. Os socialistas se afastaram de Ciro depois que PT ofereceu apoio à reeleição do governador Paulo Câmara, em Pernambuco.

O PCdoB, por sua vez, preferiu marchar em carreira solo, depois de receber do PT uma proposta que considerou indecente — de retirar a candidatura de Manuela sem a certeza da vaga a vice na chapa petista. Pela primeira vez, desde a redemocratização do país, o PCdoB estará com um nome à Presidência da República para chamar de seu. Com tanta coisa parecida com 1989, essa é uma grande diferença. (CB)

Sandro Araújo