Ex-ministro da Saúde defende imposição à vacinação e campanhas mais efetivas

A expectativa do Ministério da Saúde é vacinar, pelos menos, 95% das 11 milhões e duzentas mil crianças de até cinco anos do país. Mas o último levantamento feito pelo governo mostra que cerca de 4 milhões de crianças ainda não foram imunizadas. O número cada vez maior de crianças que não estão sendo vacinadas preocupa as autoridades da área de saúde. O risco é que o Brasil volte a enfrentar graves surtos de doenças como já começa a acontecer com o sarampo, doença que tem feito vítimas fatais em estados como Amazonas e Pará. O ex-ministro Luiz Carlos da Silveira, que enfrentou surtos de poliomielite na década de 80, quando estava à frente da saúde, conta como o país conseguiu sair daquela condição e zerar os casos da doença no Brasil.

Quando eu assumi o Ministério, nós estamos com surto de poliomielite no Nordeste de vacinação. Eu tive que inclusive apelar para o exército para fazer uma campanha extra de vacinação. E os soldados foram de casa em casa vacinar. Nós precisávamos mudar esse quadro e foi aí que nós fizemos um concurso nacional e criamos a figura do Zé Gotinha. Que houve uma motivação, o Zé Gotinha conseguiu motivar as crianças a se vacinarem. Mas de dois anos para cá nós estamos sentindo a diminuição do afluxo de pessoas para vacinação isso é muito grave, não podemos voltar atrás.

Hoje, o ex-ministro defende a vacinação impositiva, com a perda de benefícios e até multa pra quem não levar a criança para ser imunizada.

Talvez multa, mas mais do que multa, perder alguns direitos, ele ser suspenso por exemplo de receber fundo de garantia ou alguma ação social se ele tem por exemplo Bolsa Família suspender Bolsa Família. Algumas medidas que precisam ser estudadas para serem aplicadas. Infelizmente ainda no Brasil somente com a pressão e ameaças que as coisas acontecem, talvez o problema da Educação.

Quase mil e cem casos de sarampo já foram confirmados este ano no estado do Amazonas. Outros 300 casos já foram confirmados em Roraima, estado que ainda tem apenas 44% das crianças com até 5 anos vacinadas. Pelo Estatuto da Criança e do Adolescente é obrigatória a vacinação nos casos recomendados. Se houver descumprimento, os pais podem pagar multa e até perder a guarda dos filhos.

Sandro Araújo