Debate na Band é marcado por ironias e trocadilhos entre candidatos

Concorrentes ao Planalto concordaram que o aumento de arrecadação, por exemplo, deve vir de impostos baseados na renda 

No primeiro debate com os candidatos à presidência da República, na TV Band, oito presidenciáveis discutiram temas polêmicos, mas abusaram de ironias e trocadilhos. Entre os temas mais abordados, esteve o aumento de impostos para a população mais rica, o combate à corrupção e os investimentos em áreas como saúde e educação.

Ao falarem sobre o sistema tributário, os concorrentes ao Planalto concordaram que o aumento de arrecadação deve vir, em boa parte, de impostos sobre propriedades e baseados na renda dos brasileiros.

A corrupção, um dos maiores problemas sociais, também foi discutida. O candidato do Podemos, senador Álvaro Dias, declarou que a Operação Lava Jato é prioridade para retirar facções criminosas de circulação.

Caso seja eleito, Dias disse que vai nomear o juiz federal Sérgio Moro para ser ministro da Justiça. O candidato ressaltou, também, que o sistema de governo brasileiro precisa ser refeito.

“Nós queremos institucionalizar a Operação Lava Jato como uma espécie de nossa Tropa de Elite no combate à corrupção. Cabo eleitoral dos investimentos, da geração de emprego porque, certamente, nós enviaremos ao mundo outra imagem. O Brasil voltará a ser sério e os investimentos que foram expulsos daqui pela corrupção e pela incompetência retornarão”.

Marina Silva, da Rede, afirmou que as alianças partidárias feitas desde governos anteriores pensam apenas em tempo de televisão e permanência no poder. Assim, segundo ela, não há cumprimento das promessas feitas durante as campanhas.

Ela reafirmou que é contra o teto de gastos que, na em sua visão, impede investimento público em serviços básicos.

“Nós temos um problema que faz com que o nosso país tenha feito uma medida que congela os investimentos públicos na área de saúde, educação, segurança pública, infraestrutura por 20 anos. Ou seja, significa que a saúde como está, a segurança como está, vai ficar congelada”.

Guilherme Boulos utilizou a frase “50 tons de Temer” para caracterizar as propostas de todos os candidatos que participaram do debate e diferenciá-lo dizendo que tem “um novo projeto de política”. Ele disse, ainda, que a questão do aborto é tema que envolve o Sistema Único de Saúde (SUS).

“Nós vamos colocar outras políticas para as mulheres, como creche em tempo integral para as mães que trabalham e estudam, atendimento especial no SUS para as mulheres, vamos ter políticas que assegurem igualdade salarial. Ao contrário do que já foi dito aqui (pelo Jair Bolsonaro), o governo pode e deve garantir que as mulheres ganhem os mesmos salários”.

Até então desconhecido pela maioria dos eleitores, o candidato do Patriota, Cabo Daciolo, disse que a violência contra a mulher ocorre por falta de "amor ao próximo". Ao ser questionado sobre a greve dos caminhoneiros, Daciolo respondeu que o problema da categoria não foi resolvido, e que, se eleito, diminuiria pela metade o valor do combustível. Nos últimos minutos de discurso, o candidato leu um versículo bíblico e repetiu várias vezes a frase "em nome do Senhor Jesus".

“É claro que automaticamente eu abaixo o combustível em 50% porque nós temos 18 refinarias. Eu vou investir nas refinarias e nós vamos transformar o petróleo bruto em diesel, gasolina, gás, e vamos oxigenar o nosso país e empregar”.

Os presidenciáveis Henrique Meirelles, Ciro Gomes, Jair Bolsonaro e Geraldo Alckmin também participaram do debate. No quinto e último bloco, os candidatos tiveram um minuto e meio para considerações finais. Os concorrentes ao Planalto voltam a se encontrar na televisão para novo debate no dia 17 de agosto, às dez horas da noite, na RedeTV.

Assista


Reportagem, Clara Sasse
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Sandro Araújo