Ciro Gomes ataca adversários políticos em sabatina: "Eu sei que o Michel Temer"

Ex-ministro da Fazenda no governo Itamar Franco, da Integração Nacional, no governo Lula e ex-governador do estado do Ceará, Ciro Gomes, candidato do Partido Democrático Trabalhista (PDT) nas eleições presidenciais foi o terceiro sabatinado pelos jornalistas do canal pago GloboNews, depois de Álvaro Dias e Marina Silva .

Ciro Gomes falou sobre a prisão de seu ex-aliado, o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), atacou a corrupção e o atual presidente Michel Temer (MDB), e discutiu a dificuldade de fechar alianças políticas e seu plano de governo. A entrevista começou com os jornalistas questionando o ex-ministro sobre um suposto isolamento de sua candidatura dentro do espectro político brasileiro. "Trabalham juntos para me isolar o PMDB de Michel Temer, o PSDB de Geraldo Alckmin e o PT de Lula", analisou Ciro, que não poupou críticas ao PT por não apoiar sua candidatura. "Eles (PT) não estão pensando no País. Querem perpetuar um projeto de poder. O comportamento do PT de insistir numa candidatura que tende a ser impugnada é hostil à sorte do povo brasileiro", disse.

Ciro lembrou que foi fiel a Lula durante 16 anos, e que se decepcionou com o ex-presidente. "Tenho sentimentos de frustração. Não sei o que fiz para merecer esse tipo de tratamento dele", afirmou. Sobre a condenação do petista, o ex-governador do Ceará afirmou que considera a sentença injusta.

Ainda sobre alianças, o pedetista admitiu que pretende dialogar com o MDB. "Pretendo ser presidente do Brasil e, portanto, quero dialogar com todos no Congresso". No entanto, ele atacou o que chamou de "quadrilha", citando o presidente Michel Temer. "Com essas pessoas não terá conversa".

Sobre a personalidade forte e os 77 processos que responde na Justiça, Ciro voltou a criticar o MDB e se disse orgulhoso. "Eu sou um indignado. Tenho 77 processos por denunciar pessoas como Eunício Oliveira, Eduardo Cunha e Michel Temer. Fora do Brasil isso é visto como virtude", disse. "Eu sei factualmente que o Michel Temer é ladrão e por isso o chamo de ladrão", completou.

Sobre seu plano de governo, Ciro Gomes começou falando sobre economia. o pedetista criticou os lucros do mercado financeiro: "Toda nossa estrutura está montada para distribuir renda de quem produz e trabalha para os bancos".

Sobre suas propostas, o candidato rechaçou aumentar impostos de pessoas físicas, mas disse que vai endurecer o jogo para as grandes empresas. "Nossa carga tributária já está alta demais. E não devolve nada para classe média e devolve muito mal para o nosso povo", analisou. "O mundo inteiro cobra taxa de lucros e dividendos de empresas, menos o Brasil e Estônia. Eu vou cobrar. Todo subsídio que não for necessário para estimular a indústria do Brasil será cortado", prometeu.

O candidato também disse que pretende ativar pesadamente a construção civil como medida para geração de emprego. De acordo com o pedetista, obras de saneamento básico e moradias populares seriam o maior foco.

Sobre os escândalos de corrupção público-privados deflagrados nos últimos anos, Ciro pediu separação dos corruptores e das companhias. "Eu quero mostrar pro Brasil que quem é corrupto é gente. Empresas não são corruptas. Pretendo fazer acordos de leniência, como foram feitos nos Estados Unidos e na Alemanha. Que se punam os corruptos, mas que se salve as empresas e a memória intelectual", propôs.

Quando a pauta foi segurança pública, o ex-ministro afirmou que pretende aumentar o efetivo de inteligência da Polícia Federal para estudar o crime organizado. "É preciso mapear o crime organizado seguindo o dinheiro e fazer uma segregação carcerária para que os líderes não comandem o tráfico de dentro dos presídios". Ele ainda se disse contra a diminuição da maioridade penal, pois acredita que o tráfico seguirá recrutando crianças mais jovens.

Sobre saúde, o pedetista disse que pretende alocar mais verbas para que a mortalidade infantil volte a diminuir no País e voltou a criticar o governo Temer: "O que se pode fazer com um país que congela por 20 anos seus gastos com a saúde?", questionou.

Em mais um crítica pesada ao governo atual, Ciro classificou a reforma trabalhista como "uma selvageria" e disse que pretende fazer uma nova reforma para modernizar as relações de trabalho no Brasil sem que os empregados fiquem à mercê dos patrões.

No último bloco da sabatina, Ciro Gomes respondeu rapidamente a última série de perguntas feitas pela mesa. O candidato disse que não descarta projetos de privatição e que pretende estudá-los e apresentá-los caso eleito, mas reiterou que "petróleo e hidrelétricas não se privatizam". Ele ainda classificou seu possível governo como iluminista: "A discussão de nenhum assunto será tabu".

Sandro Araújo