Targino diz que não é dono da clínica fechada pela Vigilância Sanitária em Feira de Santana

"Aqui não tem besta. Deviam ter agido contra mim, não contra uma associação beneficente"

O deputado Targino Machado (DEM), em entrevista concedida ao repórter Jota Bezerra, do programa Levante a Voz, afirmou que não é dono da clínica que foi fechada, na manhã desta terça-feira (17), em Feira de Santana, após uma ação da Vigilância Sanitária, subordinada à Secretaria de Saúde da Bahia (Sesab).

De acordo com informações obtidas pelo BNews, o estabelecimento funcionava sem alvará e sem o devido credenciamento do Conselho Regional de Medicina na Bahia (Cremeb). A batida da equipe de vigilância ao estabelecimento ocorreu depois que a Sesab apurou a denúncia de que clínicas clandestinas estariam funcionando em Feira de Santana e outras cidades baianas, onde o atendimento estava condicionado à apresentação do título de eleitor.

"Tenho 37 anos e nove meses de formado e nunca cobrei nada de ninguém. Isso não é uma clínica. O endereço orignário dela era na avenida Castelo Branco e, durante nove anos, o presidente dela foi o vereador José Carneiro, que hoje é o presidente da Câmara", afirmou o democrata. Segundo o deputado, esta ação da Vigilância é um ato político, "já que sou o deputado que mais faz críticas contra o Governo. Denunciei o secretário de Segurança Pública por roubo e desvio de dinheiro e fruto disso coleciono diversos inimigos. Esta associação foi criada há dez anos e não recebe recursos públicos nem Federal, Estadual ou municipal. Sou só voluntário e assim como eu, existem outros médicos. Aqui não tem besta. Já buscaram tudo da minha vida e sou um homem 100% limpo".

Ainda conforme Targino, ele não foi notificado. "Fomos surpreendidos por este aparato policial. A competência para nos fiscalizar deveria ser da Secretaria de Saúde do município e não do Estado. Quero que Deus me dê equilíbrio para eu não apontar o dedo para ninguém. A minha preocupação hoje é somente se eles estão ameaçando fechar. Eles alegaram que receberam uma denúncia anônima que eu não sei do que se trata. Na hora, tinha pelo menos 300 pessoas para serem atendidas que os recepcionaram por muitas vaias. Foram três viaturas carregadas de polícia. Não tenho nada contra os policiais que vieram aqui como pau mandado. Deviam ter agido contra mim, mas não contra uma associação beneficente", criticou.

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De acordo com informações obtidas pelo BNews, o estabelecimento funcionava sem alvará e sem o devido credenciamento do Conselho Regional de Medicina na Bahia (Cremeb).

A batida da equipe de vigilância ao estabelecimento ocorreu depois que a Sesab apurou a denúncia de que clínicas clandestinas estariam funcionando em Feira de Santana e outras cidades baianas, onde o atendimento estava condicionado à apresentação do título de eleitor.

Segundo o inquérito policial desenvolvido pelo Ministério Público Eleitoral, Targino Machado estaria aproveitando da condição de deputado e médico para realizar atendimento gratuito à população, "exigindo, para tanto, a apresentação do título de eleitor". De acordo com a denúncia anônima investigada pela Sesab e, posteriormente, pelo MPE, a população seria atendida em clínicas clandestinas nos bairros George Américo e Tomba, em Feira, e, de lá, era transportada, às expensas do deputado estadual, para os municípios de Cachoeira e São Félix, onde os pacientes eram atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

Na auditoria feita pela Sesab, foi identificado que 724 pacientes oriundos de Feira de Santana, no período de novembro de 2016 a outubro de 2017, foram internados no Hospital Nossa Senhora da Pompeia, no município de São Félix. "Esse quantitativo é superior ao número de internações relativas à população do próprio município de São Félix (apenas 605 internações)", ressalta o relatório do MPE, ao qual o BNews teve acesso.

A investigação realizou reconhecimento dos locais onde supostamente seriam captados os cidadãos em Feira de Santana (bairros George Américo e Tomba) e constatou "grandes filas de espera na área externa dos imóveis assim como placas com fotografia do deputado estadual investigado".

Também foram encontradas cópias de título de eleitor ou de certidão de quitação eleitoral nos prontuários dos pacientes de Feira de Santana atendidos no Hospital Nossa Senhora da Pompeia.

Em outra frente, a investigação constatou que o filho do deputado estadual, o médico Tarcísio Torres Pedreira, também realizava procedimentos cirúrgicos.
"As investigações levadas a efeito pela autoridade policial constataram que o filho do deputado estadual investigado, o senhor Tarcísio Torres Pedreira, bem como o médico de prenome George, eram os responsáveis pela realização das cirurgias no Hospital Nossa Senhora da Pompeia, no município de São Félix/BA. Constataram, outrossim, robustos indícios de participação de Odilon Rocha - médico, contemporâneo de faculdade do deputado estadual investigado e ex-secretário de Saúde de Cachoeira/BA e São Félix/BA – na empreitada criminosa", descreve o inquérito. As informações constam em relatório encaminhado pelo procurador Regional Eleitoral Substituto, Samir Cabus Nachef Júnior, à Polícia Federal no último dia 28 de junho.



Em nota, a Secretaria de Saúde da Bahia confirma que "fiscais da vigilância sanitária do Estado da Bahia fecharam nesta terça-feira (17), em Feira de Santana, uma clínica clandestina que atendia pacientes em diversas especialidades médicas, sem que existisse alvará sanitário. A operação de fiscalização, que contou com a participação da Polícia Militar, constatou irregularidades, como o manejo inadequado de resíduos e receitas médicas pré-carimbadas e assinadas. A operação teve início às 6 horas e flagrou diversos pacientes sendo atendidos. O estabelecimento localizado na Rua Aeroporto, número 571, no bairro George Américo, possui consultórios de ginecologia, oftalmologia e cirurgia geral".

Bocão News.

Sandro Araújo