Anúncio de Angelo Coronel na chapa de Rui Costa foi menor do que poderia ter sido

Pelo menos desde o Carnaval, quando começou a tomar forma a candidatura de Angelo Coronel (PSD) ao Senado, o governador Rui Costa (PT) enrola para anunciar a chapa, ainda que nos bastidores políticos 11 em cada dez interlocutores apostassem no nome do presidente da Assembleia Legislativa do Estado da Bahia (AL-BA). 
Rui cozinhou a senadora Lídice da Mata (PSB) até a candidatura dela passar do ponto dentro da base aliada e, agora, sem qualquer ato político, apresentou oficialmente Coronel como o último integrante da chapa majoritária governista, completada por João Leão (PP) permanecendo no posto de vice e o ex-governador Jaques Wagner como candidato ao Senado. 
Nesse processo, além do PSB, Rui conseguiu desagradar também o PCdoB, um aliado de primeira hora e que tornou pública a insatisfação com a forma com que o governador conduziu as articulações. 
Diante das sugeridas pequenas crises incontidas com PSB e PCdoB, Rui optou por um anúncio constrangido, por meio de nota e sem mostrar a força esperada para alguém com altos índices de aprovação e cujo favoritismo é admitido pelos adversários mais fervorosos. 
Foi embaraçoso assistir pela imprensa os diversos episódios de “disse me disse” ou ditos e desmentidos a que o próprio Rui se expôs desnecessariamente. Se sobra perfil administrativo para o governador, o trato político poderia ser facilmente conduzido por Wagner, que sabe sair de cena quando necessário e consegue articular bem nos bastidores. 
Não foi a opção de Rui, que tornou o anúncio da chapa dele menor do que poderia ter sido. Muito menor, frise-se. Dava para esperar algo apoteótico ou ao menos que provocasse algum tipo de impacto direto na cobertura política da imprensa. Não precisava ser um mega evento, já que a campanha formalmente não começou. Porém entre fazer um anúncio chocho, por meio de nota, e falar publicamente sobre o tema – mesmo que numa transmissão ao vivo no Facebook -, Rui optou pelo mais fácil, quando não teria que responder a questionamentos ou a vieses que explicitassem os erros de condução do processo. 
Como governador, Rui é impecável em diversos aspectos. Menos na articulação e na comunicação dos próprios anseios: ser cada vez mais pragmático em um cenário de descrédito na política. A partir de agora, todavia, o desafio é minimizar os efeitos negativos desse eventual desgaste e tentar incorporar ao máximo os insatisfeitos, para tentar ter uma campanha cuja unidade seja melhor do que nos discursos. E apostando para que os adversários sigam sem explorar as falhas já apresentadas. 
Por Fernando Duarte/BN
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Sandro Araújo