Petroleiros entram em greve pela redução do preço dos combustíveis e do gás de cozinha

Os petroleiros iniciam, a partir da zero hora desta quarta-feira, 30 de maio, uma greve de 72 horas, que vai atingir as unidades do Sistema Petrobrás em todo o Brasil. A Federação Única dos Petroleiros (FUP) e o Sindipetro Bahia responsabilizam o atual gestor da empresa, Pedro Parente, pelos aumentos abusivos do preço dos combustíveis e do gás de cozinha.

A mudança na política de preços da Petrobrás, que passou a acompanhar o preço internacional do barril do petróleo e a variação do dólar, desencadeou os aumentos sucessivos, quase que diários, da gasolina, diesel e gás de cozinha, sem haver nenhuma proteção ao consumidor.

“No caso do aumento do preço dos combustíveis é importante informar que a Petrobras não está tendo ganhos significativos. Quem está ganhando com a nova política de preços são outras importadoras como Shell, Total, Texaco e Ipiranga, que têm redes de postos no Brasil”, denuncia o coordenador do Sindipetro Bahia, Deyvid Bacelar.

Outro problema apontado pelos petroleiros é a redução drástica da carga de refino do país, que processa atualmente cerca de 68% da sua capacidade. A Refinaria Landulpho Alves, por exemplo, opera hoje com apenas 53% da sua capacidade.

Com a redução da carga das refinarias da Petrobras, também ordenada por Pedro Parente, as importadoras de derivados aproveitaram para entrar no mercado de derivados brasileiro. Em 2017, foram importados mais de 200 milhões de barris de derivados de petróleo, número recorde da série histórica da Agência Nacional do Petróleo (ANP).

A preocupação, afirma Deyvid, “é que se o governo federal continuar com essa política, a situação tende a piorar, pois já foi anunciada a privatização das refinarias. Na Bahia, a RLAM e os dutos e terminais da Transpetro já foram colocados à venda. Com isso, não haverá qualquer tipo de controle e a tendência é que haja aumentos ainda maiores do preço dos combustíveis nas bombas”.

Desde 20 de fevereiro, o preço da gasolina vendido pelas refinarias da Petrobrás aumentou 35% saindo de R$ 1,52 o litro para R$ 2,04 reais o litro. Somente no último mês, o aumento foi de 19%.

Para Deyvid “a questão central a ser debatida é a mudança na política de preços da Petrobrás e seus efeitos para a empresa e os consumidores. A partir dai retomaremos nossos direitos e preservaremos a Petrobrás como uma empresa pública, que age com responsabilidade social”.

Principais eixos do movimento grevista:

- Redução dos preços dos combustíveis e do gás de cozinha

- Retomada da produção das refinarias

-Fim das importações de derivados de petróleo

- Não às privatizações e ao desmonte do sistema Petrobras

- Manutenção dos empregos

- Demissão de Pedro Parente, atual presidente da companhia.

A paralisação é um ato de alerta. A greve nacional por tempo indeterminado já foi deliberada pela categoria e pode ser deflagrada a qualquer momento. 

Na terça (29), o Tribunal Superior do Trabalho (TST) considerou o movimento ilegal e estipulou multa de R$ 500 mil por dia aos sindicatos, após ação ajuizada pela Petrobras e a Advocaia-Geral da União (AGU).

Além das mobilizações na Bahia, o comunicado da FUP publicado pouco depois da 1h relata que os funcionários “não entraram para trabalhar” em refinarias de São Paulo, Minas Gerais, Paraná, Rio Grande do Sul, Amazonas e Pernambuco.

Nacionalmente, estariam paralisados os seguintes terminais: Reman (AM), Abreu e Lima (PE), Regap (MG), Duque de Caxias (Reduc, RJ), Paulínia (Replan), Capuava (Recap), Araucária (Repar), Refap (RS), além da Fábrica de Lubrificantes do Ceará (Lubnor), da Araucária Nitrogenados (Fafen-PR) e da unidade de xisto do Paraná (SIX). Também não houve troca dos turnos, segundo a FUP, nos terminais de Suape (PE), Paranaguá (PR) e Bacia de Campos (RJ).


Fonte - Sindipetro Bahia

Sandro Araújo