Impactos da greve dos caminhoneiros já atinge São Gonçalo dos Campos

São Gonçalo dos Campos também já está sofrendo os reflexos da greve dos caminhoneiros, que caminha para seu 6º dia, mesmo com acordo proposto pelo Governo para suspender a greve da categoria por 15 dias.

Na cidade, já é prevista a falta de combustíveis nos próximos dias em pelo menos dois dos quatro postos que abastece o município. O SGA esteve no Posto Pontilhão, na Rua da Pavuna e no centro da cidade, e segundo o frentista restam apenas cerca de 1.400 litros de gasolina e diesel nos tanques. Embora não seja um valor atrativo para os proprietários de veículos, a gasolina está sendo vendida a R$ 4,79 e o diesel R$ 3,79.

No Posto Avenida que trabalha com gasolina aditivada tem combustível, segundo o frentista, para mais ou menos uma ou quase duas semanas. A gasolina está sendo vendida a R$ 4,99, enquanto o diesel S-5 R$ 3,84 e S-10 R$ 3,94. No Posto Talismã, na BA-502, o frentista não soube dizer quanto ainda tem no estoque, mas com a procura devido a escassez em algumas cidades, a exemplo de Feira de Santana que já tem posto fechado, acredita que possivelmente dure só este fim de semana. A gasolina está sendo vendida no Talismã a R$ 4,69 e o diesel a 3,75. No posto Jacaré, na mesma BA, o proprietário Rock Gomes disse que tem combustível ainda no estoque, mas espera o fim da greve o quanto antes. A gasolina está sendo vendida a R$ 4,69 e o diesel 3,75 o litro.

Segundo Rock, que também é formado em economia, a política de preço da Petrobras parece ser equivocada, porque toda a composição de preço do combustível é em reais, uma produção nacional, e mesmo assim a Petrobras estabelece uma política de preço baseada no mercado internacional, que sofre influência tanto do dólar quanto da cotação do barril de petróleo. Para o empresário, a curto prazo é preciso haver uma definição da Petrobras de mudar sua política de fixação de preço e, paralelo a isso, também uma redução da carga tributária.

Saindo do campo dos combustíveis, algumas empresas da cidade também estão sendo afetadas pela greve. Por falta de matéria prima e também a grande possibilidade do produto de entrega ficar bloqueado em alguma rodovia, a Branox, localizada na BA-502, teve que diminuir sua produção e até funcionários tiveram folga coletiva. A JBS, que opera na cidade com abate e processamento de frango, entrou em acordo com o sindicato da categoria, e ficou decidido que nesta sexta-feira, 25, e segunda, 28, a empresa não tem abate. Caso a greve não chegue ao fim, a empresa será obrigada a parar completamente sua produção e só retornar ao fim da greve. Informações dão conta também que em alguns galpões de criação frango as aves estão morrendo por falta de ração.

A falta de ração em decorrência dos protestos de caminhoneiros pode provocar a morte de 1 bilhão de aves e 20 milhões de suínos nos próximos dias, alertou a associação da indústria ABPA nesta sexta-feira, 25, citando 152 unidades frigoríficas com atividades suspensas.

O Governo Federal sugeriu um acordo aos caminhoneiros prometendo que o desconto de 10% sobre o preço do diesel seja mantido por 30 dias, período maior que os 15 dias oferecidos na fase inicial de negociação pelo presidente da Petrobras, Pedro Parente. “O que estamos acordando é que o preço ficará fixo no patamar definido pela Petrobras por 30 dias. Nos primeiros 15 dias, voluntariamente proposto pela Petrobras, e, a partir do 16º dia, o governo irá pagar”, disse o ministro da Fazenda, Eduardo Guardia.

Por Sandro Araújo

Sandro Araújo