residencial Um quinto dos brasileiros concentram 60% de toda a renda do país - São Gonçalo Agora

Um quinto dos brasileiros concentram 60% de toda a renda do país

Cerca de 60% e toda a renda que circula no Brasil estão concentrados em apenas um quinto da população. O dado é da Pnad Contínua, do IBGE, que estimou em R$ 255 bilhões a soma de tudo que a população ganhou, em 2016, através de fontes como salário, aposentadoria e até programas sociais. O total acumulado pelos 20% mais ricos chegou a R$ 153 bilhões. Por outro lado, metade dos assalariados, um total de 62,2 milhões pessoas, concentrou só 15% de toda a renda gerada no país. Ao analisar uma fatia ainda menor, só os 10% mais ricos, o IBGE constatou que concentraram 43% da renda nacional. Para o pesquisador Cimar Azeredo, o resultado ressalta o quanto o Brasil ainda é extremamente desigual.

"O Brasil é, sim, um país desigual. Há uma concentração que mostra a desigualdade tanto na renda do trabalho, quanto da oriunda de outras fontes. Sem dúvida, o Brasil é um dos países cuja concentração de renda é a mais desfavorável possível", avaliou.

Cerca de 75% do que as famílias brasileiras ganham vêm do trabalho. Outros 18% vêm das aposentadorias e pensões; e 3,2%, dos beníficios sociais. Mesmo no Norte e no Nordeste, onde os programas sociais têm mais importância que no resto do país, o trabalho é a principal fonte de renda. As duas regiões são as mais desiguais quando avaliadas pelo Índice de Gini. O indicador varia de 0 a 1 e, quanto mais perto de um, maior a desigualdade. Em 2016, o Gini do Brasil foi 0,549. No Nordeste, a taxa superou a média nacional e ficou em 0,555. O pesquisador Cimar Azeredo explica que a falta de dinamismo econômico nessa região impacta diretamente o ganho das famílias.

"A região Nordeste tem uma dinâmica diferente da que se observa na região Sudeste. No Norte e Nordeste, a qualidade do emprego é menor, há menos carteira assinada e mais trabalho informal de baixa qualidade", explica.

Ao analisar só a renda pelo trabalho, a pesquisa também revelou uma alta concentração: 1% dos brasileiros recebem até 36 vezes mais do que metade da população.

Por Paula Martini
Compartilhe no Google+

Sandro Araújo