residencial Juiz da Lava-jato no Rio recebe escolta do Batalhão de Choque da PM - São Gonçalo Agora

Juiz da Lava-jato no Rio recebe escolta do Batalhão de Choque da PM

Um ano após a prisão do ex-governador Sergio Cabral, o cenário é de reforço na Sétima Vara Federal Criminal, que cuida dos processos da Lava-jato no Rio. Além de contar com a segurança de agentes do Tribunal Regional Federal, que se dividem em três carros, o juiz Marcelo Bretas passou a ser acompanhado pelo Batalhão de Choque, desde que veio à tona a informação de que Cabral estaria financiando dossiês contra o magistrado, na semana passada.

Uma equipe de PMs também fica na casa de Bretas, que é responsável por 15 dos 16 processos contra o ex-governador. Em dois deles, Cabral já foi condenado. O próprio advogado do político, Rodrigo Roca, admite que espera receber cerca de dez novas denúncias contra o cliente.

“Eu tenho uma estimativa minha, baseada em fatos, que é de que venham mais dez, doze, denúncias. Por quê? Porque das denúncias em que eu trabalhei, eu vi - se não em todas elas, na maioria delas - eu vi anotações marginais do Ministério Público Federal dizendo 'olha, com relação a este fato, isto será objeto de tratamento de denúncia, com relação a esse outro fato, está em apuração e será objeto de outra acusação”, afirma.

O braço fluminense da Operação Lava-jato surgiu em 2015, quando o Supremo Tribunal Federal enviou para o Rio investigações sobre um esquema de corrupção em obras da Eletronuclear. Para dar conta dos outros 24 processos que surgiram sobre irregularidades cometidas, principalmente no governo Cabral, foi criado um sistema de processos eletrônicos na Vara. A digitalização ocorreu depois de uma visita ao juiz Sergio Moro, em Curitiba.

Além disso, a equipe, que era de dez funcionários, dobrou de número desde então. Nem mesmo o grupo de servidores da Vara consegue estimar a quantidade de interrogatórios e audiências, tamanha a intensidade. Mas o número de processos em tramitação caiu 23%. Em 2014, um ano antes do caso da Eletronuclear, eram 9.619 processos. Esse ano, até o momento, são 7.472. A explicação dada pelo diretor Fernando Pombal é a mudança no método de trabalho. Ele conta que até a disposição das estantes no local foi alterada para dar celeridade aos processos.

“Obviamente mudamos todo o sistema de trabalho. Mudamos inclusive o próprio layout da Vara, como por exemplo as estantes... Quando eu cheguei aqui, as estantes ficavam no meio do cartório e isso aqui era escuro, uma coisa cavernosa, horrível, você se sentia mal aqui dentro. Então, até esse detalhe foi pensado. E aí as ilhas que foram formadas de acordo com as atribuições que eles desempenham, para ter tudo com mais rapidez porque tudo aqui é velocidade. Tudo aqui é para ontem”, disse.

No meio do ano, a Vara também recebeu o reforço de uma juíza substituta, responsável pela análise dos casos que estavam em tramitação antes da Lava-jato. Ela também tem autorização pra tocar os interrogatórios desses processos sob a supervisão de Marcelo Bretas. Com o recebimento de 21 denúncias só este ano, a coordenadora jurídica dos processos da Lava-jato na Vara, Myllena Knoch, disse que, às vezes, enfrenta dificuldades para atender a todos os requerimentos das partes envolvidas.

“Como são muitas empresas, às vezes entra tanto pedido que a gente não consegue nem abrir no sistema a conclusão. Então, às vezes, pode demorar a decisão... Mas é por conta disso, a quantidade de requerimentos. O que a gente pode é atender os dois lados. Eu fico nessa ponte com o Ministério Público, e a gente procura fazer as coisas dentro do que eles pedem”, ressaltou.

Os próprios funcionários admitem que os desdobramentos das investigações não vão parar. E para dar conta do fluxo de informações de bens apreendidos nas operações, a Sétima Vara quer elaborar um banco de dados eletrônico para mapear o valor e a origem dos recursos de cada réu. A proposta, pioneira no Brasil, já foi apresentada ao Tribunal Regional Federal da Segunda Região.

Por Bárbara Baião
Compartilhe no Google+

Sandro Araújo