residencial Redução e taxação de açúcar não contribuem no combate à obesidade, afirma Dr. Daniel Magnoni - São Gonçalo Agora

Redução e taxação de açúcar não contribuem no combate à obesidade, afirma Dr. Daniel Magnoni

A redução ou taxação do açúcar não são decisivas. “É um fato a necessidade de reduzir o consumo de açúcar, assim como outros nutrientes em excesso. Para isso, o brasileiro precisa mudar os hábitos alimentares, o que não se dá com imediatismo. A educação nutricional é o caminho. Existe um problema na falta de conhecimento sobre escolhas conscientes e de um estilo de vida saudável como um todo, contemplando a prática de atividades físicas”, explica Dr. Daniel Magnoni – Nutrólogo e cardiologista do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia;
360 milhões de habitantes da região (58%) estão com sobrepeso e 140 milhões (23%) são obesos. No Brasil, mais de 50% estão acima do peso e aproximadamente 20% atingiram a marca da obesidade (OPAS);

O último VIGITEL, pesquisa do Ministério da Saúde, mostrou que os brasileiros estão consumindo mais frutas, hortaliças e legumes. Reduziram a quantidade de açúcar e o índice de obesidade e diabetes continua aumentando;

Não é viável achar que sobretaxar ou reduzir o açúcar terão impactos no longo prazo. Se o problema fosse esse, a obesidade já teria sido solucionada. São medidas superficiais e insuficientes. São necessárias boas políticas de saúde pública para munir as pessoas de informação, principalmente sobre prevenção e educação”, diz o preparador físico Marcio Atalla;

Para a Organização Mundial da Saúde (OMS), o aumento de 20% no preço do açúcar já reduz o consumo dos produtos que levam maior quantidade do ingrediente e, consequentemente, os problemas como obesidade, diabetes tipo 2 e cáries;

Reino Unido, Hungria, Dinamarca e México adotaram essas medidas e alguns resultados mostram o contrário. No México, por exemplo, houve uma redução inicial no consumo de bebidas açucaradas, mas em menos de um ano a população voltou a consumi-las normalmente;

“O aumento de peso está relacionado, principalmente, aos hábitos decorrentes da vida moderna, que são a má alimentação e o sedentarismo e não a um ingrediente específico. O problema é profundo e as autoridades e profissionais de saúde devem entender que ações de educação não acontecem da noite para o dia. A população hoje caminha na direção contrária de uma vida saudável e isso é muito sério”, discute Magnoni;

O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou recentemente o último levantamento sobre a prática de esportes e atividades físicas na população de 15 anos ou mais e mostrou que mais da metade está sedentária;

“Uma pessoa sedentária é considerada potencialmente doente. É hora de olhar para o estilo de vida. Na prática, isso também significa levar informação de maneira didática e fácil à população”, salienta Atalla;

Custos violentos do sedentarismo com estimativa de 68 bilhões de dólares por ano. “Mais um motivo para se repensar sobre o que é feito atualmente com foco na prevenção. Reduzir e taxar não previne absolutamente nada. Estamos falando de educar mais da metade da população de um país, é preciso planejamento”;

A pesquisa “Consumo Equilibrado: Uma nova percepção sobre o açúcar”, realizada com 1.200 pacientes do Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia, que nunca haviam passado por uma consulta com nutricionista, mostrou que 73% das pessoas que consomem açúcar e praticam atividade física estão com peso adequado.

“O açúcar não é a causa da obesidade. É necessário o controle do consumo de uma maneira geral. Achar que esse é o problema é fechar os olhos para a saúde pública no Brasil”, diz o Dr. Daniel.
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