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Governador do PT exonera secretários para ajudar Temer a barrar denúncia por corrupção passiva

O governador da Bahia, Rui Costa (PT), exonerou dois de seus secretários de Estado, com mandatos na Câmara, para que reassumam as vagas de deputados federais e participem da votação da denúncia por corrupção passiva contra o presidente Michel Temer nesta quarta (2), no plenário da Câmara dos Deputados. Mas o que poderia ser uma dor de cabeça para Temer, na verdade, será uma ajuda, pois a orientação para Fernando Torres (PSD) e Josias Gomes da Silva (PT) é que se abstenham de votar.

O posicionamento, favorável a Temer já que é a oposição que precisa dos 342 votos para autorizar a análise da denúncia pelo Supremo Tribunal Federal (STF), se deve ao fato de não haver nenhum interesse do governador em ver o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (RJ), no comando do Planalto. Maia é do DEM, mesmo partido do prefeito de Salvador e principal adversário de Costa na disputa pela reeleição no ano que vem, ACM Neto.

"Vou abster-me na votação. Não sou a favor nem de Michel Temer nem de Rodrigo Maia. Sou a favor de eleições diretas para presidente", justificou Fernando Torres, que deixou o cargo de secretário de Desenvolvimento Urbano da Bahia. Torres disse não ter nada contra o presidente da Câmara dos Deputados. "Acho até um bom presidente da Câmara, mas não tem condições de ser presidente da República agora", declarou.

Josias, que deixou a Secretaria de Relações Institucionais, diz ainda não ter decidido sobre como votará, mas que também tende a se abster. "O debate que tem de ser feito é que precisamos de eleições diretas, não eleições indiretas", disse. De acordo com Silva, não há como apostar no afastamento ou não de Temer como solução para o Brasil. "É tirar um golpista para colocar outro."

O secretário de Relações Institucionais admitiu que o fator ACM Neto também é levado em consideração. "Claro que esse aspecto também é ponderado. Se o Rodrigo Maia assume, ele [prefeito de Salvador] vai se fortalecer", disse. Silva ressaltou que essa não é uma tese só dele. "É minha, do governador e da maioria dos partidos que apoiam ele no Estado", disse.

Um dos deputados mais próximos de Costa, Afonso Florence (PT-BA), defendeu a tese do governador. "Ele tem total razão em sua análise. Vai ser muito ruim para Bahia o ACM [Neto] ter uma força maior. A situação não é simples, é complexa", afirmou Florence, que, embora concorde com Costa, afirmou que votará a favor da denúncia.
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