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Reciclagem, arte e renda: Família de São Gonçalo produz "xaxins" com fibra de coco verde

Nem tudo que é descartado no lixo não tem valor ou aproveito. No dia a dia utilizamos e descartamos muitos materiais sem nem pensar em como eles poderiam ser reaproveitados. Apesar da cultura da coleta seletiva e reciclagem estarem cada vez mais presentes na sociedade, ainda é difícil enxergar um futuro diferente para o produto descartado.

Se para uns o produto acaba ali, no lixo, para outros, o lixo é a solução. Não é preciso ser artista nem muito criativo, basta entender a relação entre arte e reciclagem, e imaginar novos produtos a partir dos materiais descartados.

Em São Gonçalo dos Campos, há cerca de um ano, a senhora Dôri, como é bastante conhecida, juntamente com seu marido, suas filhas e um genro descobriram que reciclar, além de ser uma grande contribuição para manter o equilíbrio do meio ambiente, está ligada a arte e gera renda para sua família.

Dôri, um certo dia, teve a ideia de coletar cocos jogados no lixo e transformá-los em xaxins de plantas. Nada do coco é descartado. Sua filha Laís contou para nossa reportagem que do coco tudo é aproveitado.

"O pó pode ser usado como ingrediente para a formulação de substratos agrícolas e composto orgânico. A fibra (do coco seco) pode ser usada como matéria-prima para o artesanato, para a confecção de vasos e placas para o plantio, em substituição ao xaxim, para estofamento de veículos e para fabricação de biomantas, que podem ser utilizadas na contenção de encostas ou de áreas degradadas e em decoração de interiores. O coco é coletado na feira dia de sábado ou domingo, antes do caminhão recolher. Também pegamos em outros locais. Não conseguimos aproveitar todo o coco da cidade por conta do trabalho ser artesanal". Disse Laís.
Fibras do coco
A mão de obra também não é nada fácil. Por falta de maquinário para a obtenção do pó e da fibra, o trabalho da família é feito manualmente. Em uma visita ao local de produção, assistimos os primeiros passos para a extração da matéria prima dos xaxins.

Após ser retirada toda a casca do coco, com uma marreta, a casca é completamente triturada, ou seja, é realizado o processo de desfibramento e depois desfiada praticamente fio a fio. As fibras ainda são lavadas para a retirada parcial da lignina (substância que constitui tecidos lenhosos). Como Dôri não tem estufa, a secagem é feita ao sol e depois peneirada para separar as longas das curtas. Um trabalho árduo e demorado manualmente.

Para confeccionar os xaxins é criada uma estrutura em arame, tela, que pode ser plástica ou de metal e um prato para vaso de planta. Nessa estrutura é colocada a fibra do coco e amarrada cuidadosamente. Com muita criatividade vários modelos já estão sendo produzidos, e entregues em São Gonçalo dos Campos e outras cidades.

Essa semana Dôri e sua pequena linha de produção teve a surpresa de ser entrevistada pela TV Subaé, de Feira de Santana, que dentre em breve também estará apresentando, só que para milhares de telespectadores seu brilhante trabalho em São Gonçalo. Parabéns!

São Gonçalo Agora/Sandro Araújo
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Sandro Araújo