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Moradores da zona rural de São Gonçalo imploram por água de qualidade

São Gonçalo dos Campos nem faz parte da lista das cidades em estado de emergência por causa da falta de água, mas tem cerca de 200 famílias em sua zona rural sofrendo há anos pela falta do liquido tão precioso e que é sinônimo de Vida.

As famílias residem no povoado da Brita e Britinha, Fazenda Jaqueira, Carrapato, Santana e Bom Jardim. São mais de 2 mil pessoas vivendo o mesmo problema há anos nessas localidades. Ao chegar no local a reportagem do São Gonçalo Agora foi recepcionada por dezenas de moradores. Cada um com disposição de sobra para detalhadamente falar sobre o problema e a falta de compromisso das autoridades políticas com esse pedacinho da cidade.
Povoado da Brita (estrada de acesso a cisterna)
Dona Edinha, conta que a água de uma cisterna de responsabilidade do governo municipal malmente serve para tomar banho. A cisterna de 4 metros de profundidade e cerca de 3 metros de diâmetro foi escavada em um brejo, sua água enferrujada, suja, tão imprópria para consumo humano que nem fervendo pode ser ingerida. Dona Edinha conta ainda que em toda época de eleição os políticos aparecem e prometem um poço artesiano. O problema é que, pedem o voto, e quando passa o período eleitoral simplesmente todos somem, esquecem que essas localidades e seus problemas.

Em poucos minutos conversando com os moradores detectamos que o problema pode ser bem mais grave do que parece.
Vejam as condições do local onde fica a bomba d'água
O sistema precário de abastecimento funciona da seguinte forma: Como a prefeitura, segundo os moradores, deixou de pagar uma pessoa para ligar a bomba d'água, apenas voluntários se habilitam a fazer o serviço. A bomba é ligada 2 ou 3 vezes na semana. A água é direcionada para a caixa d'água da Britinha e, os moradores da Brita, até pouco tempo nem tinham acesso a água, que através de encanações chega em algumas casas da Britinha. Os moradores da Brita, revoltados por saber que a água passava na frente de suas casas e não tinham direito, por conta própria, sangraram a encanação e a canalizaram também para as suas casas. Porem como a água da caixa não retorna para as casas da Brita, os moradores da localidade só têm água enquanto a bomba está ligada. É nessa hora que precisam correr e encher os reservatórios.
Britinha (única caixa d'água da região) ninguém soube informar se ela já foi limpa algum dia
Os moradores da Fazenda Jaqueira nem têm acesso a essa água. Lá eles contam com uma cisterna comum e uma fonte. Uma encanação vinda do brejo é que dar um reforço maior aos moradores. Dona Ana Néri, moradora antiga da Faz. Jaqueira, conta que o sacrifício é muito grande. Sem idade mais para tamanho esforço, não tem outra saída a não ser pegar o jumento e se arriscar mato a dentro com seus vasilhames. "São anos, anos pegando água na cabeça. Desde os tempos de criança a vida é essa, só vamos ter um alívio com um poço com água de qualidade ou encanação da Embasa. Eu to pedindo a Deus que chegue essa água", disse dona Ana Néri.
Água da cisterna onde é retirada a água para quase todos da região. A cisterna fica em um brejo
Dona Elizângela disse também que está cansada de promessa de político, há anos depende de cisterna de vizinho para ter água de beber, cozinhar, lavar e tomar banho. O sistema hidráulico da caixa d'água está tão precário que tem casa com a encanação e há mais de 4 anos não cai um pingo de água na torneira na Britinha. Perguntamos se alguém do governo municipal já esteve na localidade para dar manutenção no sistema de água, e Elizângela nos respondeu que só aparece alguém quando tem problema na bomba, e mesmo assim, depois das reclamações na Rádio São Gonçalo. "Consertam e depois somem. Políticos de Copa do Mundo, só aparecem de 4 em 4 anos para prometer o que não podem cumprir. Eles só querem encher os bolsos, a comunidade da Brita está isolada. No inverno temos essa água de péssima qualidade, do brejo, no verão a cisterna baixa e dependemos 100% dos vizinhos que têm cisternas mais profundas. E dão até onde podem."

Além da água dona Elizângela também reclama da iluminação pública. Segundo ela, tem moradores que pagam 13/14 reais de Taxa de Iluminação Pública, ela paga 4/5 reais e não tem a iluminação. Apenas uma ou duas lâmpadas ascendem nos postes da comunidade.
A água é tão imprópria, que segundo os moradores tem cheiro de lama de brejo e cor de ferrugem
Carlos, morador da Fazenda Jaqueira, disse que não tem condições de escavar uma cisterna e o certo seria o governo municipal ou a Embasa colocar água de qualidade na região. "Nem água de fonte tem suficiente para todos. Os políticos só aparecem para prometer e não cumprir. O Distrito de Mercês tem cerca de três poços artesianos e os políticos estão tentando levar água encanada pra lá. Isso acontece porque Mercês tem mais votos, eles só pensam nisso, já em nossa região só aparecem para tirar proveito, água e outras melhorias nada." Carlos tem 31 anos e sempre viveu com esse problema.

Nossa reportagem esteve no escritório da Embasa de São Gonçalo para saber se existe algum projeto de extensão da rede de água para essas localidade, mas o Órgão está em paralisação.
Nas estradas é comum encontrar pessoas em carroças procurando um lugar para pedir água
Cisterna
Cisterna
Espécie de casa onde fica a bomba d'água. Ao lado a cisterna.
São Gonçalo Agora/Sandro Araújo
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Sandro Araújo