residencial Para Gilmar Mendes, nomeação de Lula "é preocupante" e deve ser analisada pelo STF - São Gonçalo Agora

Para Gilmar Mendes, nomeação de Lula "é preocupante" e deve ser analisada pelo STF

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, afirmou nesta quarta-feira, 16, que a nomeação do ex-presidente Lula à Casa-Civil é um assunto que “dispõe de preocupação” do Tribunal.

“Imagine se a presidente Dilma decide nomear um desses empreiteiros que estão presos em Curitiba a ministro de Minas e Energia ou de infraestrutura. Passa a ter muita interferência no processo judicial", afirmou.

A decisão do petista de assumir um cargo no governo da presidente Dilma Rousseff é vista por muitos como manobra para escapar das mãos do juiz Sérgio Moro, que comanda a Operação Lava Jato em primeira instância, já que, agora, ele tem foro privilegiado e só pode ser julgado pelo STF.

Mas, segundo Mendes, Lula pode continuar a ser investigado por Moro caso o Supremo entenda que sua nomeação como ministro da Casa Civil foi para fugir do juiz.

Para o magistrado, essa questão “merece meditação do tribunal”. Ele lembrou do caso do ex-deputado Natan Donadon, condenado à prisão por desvios de recursos públicos, que renunciou ao cargo às vésperas do julgamento para tentar escapar do foro do STF.

Oposição abandona plenário do STF após rejeição dos embargos

Alguns deputados da oposição abandonaram o plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) na tarde desta quarta-feira, 16, ainda durante o julgamento dos embargos protocolados pelo presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), questionando o rito do impeachment estabelecido pela Corte. Com os votos contra os recursos de pelo menos cinco ministros do STF, os opositores deixaram o plenário do Supremo, onde assistiam ao julgamento, e voltaram para a Câmara.

Na Casa, os parlamentares opositores deram entrevista coletiva no Salão Verde e acusaram o Supremo de "intervir" no centro de outro poder. Em tom exaltado, o líder do DEM na Casa, Pauderney Avelino (AM), pediu que as pessoas procurem seus deputados para pressioná-los a votar a favor do impeachment da presidente Dilma Rousseff. Apesar das críticas ao STF, os líderes da oposição afirmaram que vão continuar defendendo celeridade no julgamento do impedimento da petista no Congresso.

No recurso protocolado no STF, Cunha questionou os três principais pontos do rito do impeachment estabelecidos pelo STF em dezembro: que a comissão especial que dará parecer no processo deve ser eleita por voto aberto, que não serão aceitas chapas avulsas para escolha do colegiado e que o Senado pode não aceitar a abertura do processo de impeachment mesmo que a Câmara tenha votado pela abertura. A expectativa da oposição era de que o STF mudasse de ideia pelo menos sobre a chapa avulsa.
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Sandro Araújo