residencial Qual seria a sua reação ao ver restos mortais no cemitério? - São Gonçalo Agora

Qual seria a sua reação ao ver restos mortais no cemitério?

Qual seria a sua reação, ao estar prestando suas últimas homenagens a um falecido em seu sepultamento e, durante a caminhada pelo cemitério, se deparar com restos mortais e caixões amontoados e prontos para uma falsa cerimônia de cremação? Pois bem, a sua reação ainda não sabemos, mas cerca de 10 pessoas que acompanhavam um sepultamento neste último sábado (17/01), no cemitério de São Gonçalo dos Campos, acharam "uma falta de respeito".

Fotos enviadas pelo leitor, tiradas dia 17/01/15
Nas imagens enviadas para a nossa redação, e posteriormente constada sua veracidade, destroços de caixões e vários ossos humanos, como fêmur, crânio dentre outros, em meio a uma grande pilha de outros objetos estavam prontos para serem cremados.

Fotos enviadas pelo leitor, tiradas dia 17/01/15
De acordo com a PL 5029/2013 - Art. 13 e Art. 14
"A cremação de cadáveres e restos mortais humanos poderá ser executada pelo poder publico, por empresas concessionárias ou permissionárias ou pela iniciativa privada, com base na legislação de uso de solo e normas sanitárias vigentes. Fica vedado no processo de cremação de cadáveres ou de restos de corpos humanos o uso de urna que não seja de material biodegradável". Clique aqui e saiba mais sobre a Política Nacional de Resíduos Sólidos.

Patricia Bilotta
De acordo com Patricia Bilotta, professora de Engenharia Ambiental da PUC e Doutora em Hidráulico e Saneamento, comenta: ”o perigo real da contaminação está nos orgânicos patogênicos encontrados no necrochorume”. O desgaste de materiais como objetos de roupas ou metais pesados em contato com o necrochorume teriam uma responsabilidade insignificante.

A professora explica que dependendo das condições do solo e da água em certas situações “esse material [em decomposição] pode se acumular e causar um efeito potencializado”. Com a aprovação da lei e a impermeabilização das urnas, o solo e a água são poupados, mas isso dá margem a uma outra preocupação: qual seria o destino desse material impermeável e quem se responsabilizaria por isso?

Segundo Patrícia, depois de tratado, o líquido não vira adubo, mas “pode até ser lançado no solo que o próprio ambiente absorve e o devolve ao ciclo natural para a matéria prima do carbono”.

O professor-doutor e pesquisador do Instituto de Geociências da USP – Universidade de São Paulo, Alberto Pacheco, acrescenta que o problema da contaminação do solo por cemitérios existe, mas é pouco abordado na mídia. Talvez por isso se arrasta ao longo de tanto tempo, prejudicando diretamente os que não dispõem de informação e, indiretamente, toda a população que sofre com a proliferação de doenças infecto-contagiosas.

Alberto Pacheco
O pesquisador da USP, Prof. Dr. Alberto Pacheco, detectou bactérias e vírus capazes de transmitir várias doenças em amostras de água retiradas do solo do Cemitério Municipal Vila Nova Cachoeirinha – Zona Norte de São Paulo.

Por força da fiscalização impulsionada pela resolução do CONAMA – Conselho Nacional do Meio Ambiente –, os cemitérios particulares vivem uma realidade bem diferente, e já desenvolvem mecanismos de proteção aos mananciais. Atentas ao impacto ambiental e de olho no mercado fúnebre ecologicamente correto, funerárias investem cada vez mais no desenvolvimento de soluções para a contaminação do solo e do lençol freático.

Alternativas viáveis que estão longe da realidade dos cemitérios públicos brasileiros.
Apesar das constantes campanhas e manifestações sociais e institucionais pró-meio ambiente, ainda há muito o que se fazer para proteger os recursos naturais.

Apesar de pouco divulgado, o problema é preocupante, já que 95% da água potável do mundo está no subsolo, segundo a Associação Brasileira de Águas Subterrâneas – ABAS.

Os dados levantam uma polêmica: o que fazer para evitar que o corpo humano contamine fontes preciosas de água subterrânea após a morte?

(As declarações do Prof. Pacheco foram editados na Revista Griffe) E-mail: apacheco@usp.br

São Gonçalo Agora/Sandro Araújo 
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Sandro Araújo