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Aparelho que trata câncer de mama chega à Bahia

Tratamento é para mulheres acima de 50 anos e com câncer em fase inicial. Aparelho faz em uma sessão o que o tratamento habitual faz em 6 semanas.   
O Hospital São Rafael, localizado em Salvador, apresentou nesta quarta-feira (23) um aparelho que permite mulheres com câncer de mama em estágio inicial fazerem radioterapia no mesmo dia em que a cirurgia de retirada do tumor. Batizada de Intrabeam, a máquina de radioterapia intraoperatória do hospital baiano é a única em todo o Brasil.

De acordo com Ézio Novaes, coordenador de mastologia do hospital, a pesquisa sobre o aparelho, criado por uma empresa alemã e que custa R$ 1,5 milhões, durou 12 anos.

O São Rafael, entretanto, não gastou nada para obter o Intrabeam. Isto porque a unidade de saúde é parceira da empresa alemã na pesquisa sobre a técnica de radioterapia intraoperatória realizada pelo equipamento. A máquina realiza radioterapia em dose única, logo após a cirurgia na mama.

Cinco mulheres diagnosticadas com câncer de mama na Bahia já passaram pelo procedimento e, de acordo com o coordenador, o tratamento foi eficaz em todas elas. Segundo o médico assistente de radioterapia Arthur Rosa, apesar de já estar há dois meses em Salvador, o aparelho começou a realizar o procedimento há um mês. “Ela [a máquina] é bastante revolucionária. A aplicação única do Intrabeam é equivalente ao tratamento habitual de seis semanas. Além da segurança de fazer um tratamento eficiente, é algo prático”, explica.

De acordo com Ézio Novaes, o primeiro passo é a realização da cirurgia de retirada do tumor e da região em volta dele. Já a radioterapia, com a utilização do Intrabeam, é aplicada após a cirurgia, antes de fazer a sutura do paciente.

O médico explica que a cirurgia demora cerca de uma hora e 15 minutos e que, com a radioterapia, o procedimento dura 40 minutos a mais, o que para ele é um processo mais prático e não apresenta afeito colateral. “Se a gente não contasse para a paciente que ela fez a ‘radio’ ela nem ia saber que fez. Não deixa marca é um tratamento interno”, conta.

Segundo Novaes, o procedimento apresenta outros benefícios. “A radioterapia trata vários tipos de câncer. A primeira questão é que ele [equipamento] vai tirar essas pacientes com câncer inicial da fila de radioterapia. É mais barato que o convencional. Uma paciente que mora no interior do estado, por exemplo, tem que ficar 45 dias hospedada na cidade, agora ela pode vir e ficar aqui dois ou três dias depois da cirurgia”, diz.

Apesar dos benefícios, o Intrabeam é usado exclusivamente para casos iniciais, ou seja, ele não serve para casos avançados de câncer. Além disso, não é eficaz para pacientes que possuem um tumor com tamanho acima de três centímetros.

O equipamento também não será usado para pacientes com idade inferior a 50 anos, pois de acordo com o médico, “os estudos científicos ocorreram com base em pessoas com a faixa etária acima de 50 anos, mostrando técnica e eficácia”. Contudo, ele acredita que no futuro é provável que pacientes mais novas vão poder passar por essa nova técnica de tratamento.

Inicialmente esse tipo de tratamento é realizado apenas no Hospital São Rafael, porém há interesse da unidade em expandir o atendimento para pacientes do Sistema Único de Saúde.

De acordo com Ézio Novaes, já existe um protocolo na Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), para realizar o atendimento através de uma convênio entre o hospital e a secretaria, mas ainda não há definição sobre a parceria.

Câncer de mamaSegundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA), órgão auxiliar do Ministério da Saúde, o câncer de mama é o segundo tipo mais frequente da doença em todo o mundo, respondendo por aproximadamente 22% dos novos casos a cada ano.

De acordo com Sesab, a estimativa do INCA é que este ano haja 2.560 casos na Bahia e 980 casos em Salvador.

No Brasil, estima-se que em 2014 mais de 57 mil novos casos da enfermidade serão diagnosticados. As taxas de mortalidade no país continuam elevadas, devido ao diagnóstico tardio da doença. O câncer de mama é mais comum em pessoas acima dos 35 anos, contando com uma incidência maior e progressiva acima desta idade. Do G1.
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